O Congresso dos Estados Unidos recebeu um documento que reacendeu de forma explosiva a polêmica em torno da relação de Donald Trump com Jeffrey Epstein. Trata-se de uma cópia de um cartão de aniversário, supostamente enviado pelo então empresário a Epstein em 2003, por ocasião dos 50 anos do bilionário, que anos depois seria condenado por tráfico sexual de menores e encontrado morto em circunstâncias suspeitas na prisão. O cartão, divulgado por advogados do espólio de Epstein, faz parte de um álbum de felicitações e chama atenção pelo conteúdo: um desenho da silhueta de uma mulher nua, onde o texto aparece inserido no contorno do corpo, simulando um diálogo fictício entre Trump e Epstein. As frases são enigmáticas e sugestivas, com passagens como “temos certas coisas em comum, Jeffrey” e “enigmas não envelhecem”. A mensagem termina com um “feliz aniversário” seguido da assinatura “Donald”, posicionada justamente no local correspondente aos pelos pubianos da figura feminina.
A divulgação do cartão repercutiu de imediato. Para os críticos de Trump, trata-se de uma prova incômoda da proximidade entre ele e Epstein. Para a Casa Branca, porém, o episódio não passa de uma farsa. O presidente negou ter escrito ou desenhado qualquer coisa, chamou o material de “fake news” e abriu um processo bilionário contra o Wall Street Journal, jornal que já havia publicado trechos do texto em junho. A secretária de comunicação Caroline Leavitt e o subsecretário Taylor Budowich reforçaram a versão oficial de que tanto a letra quanto a assinatura não pertencem a Trump, acusando os adversários de difamação deliberada.
A polêmica, no entanto, não se limita ao embate entre Trump e a imprensa. Dentro do próprio Partido Republicano, figuras influentes como a deputada Marjorie Taylor Greene cobraram a liberação integral dos documentos relacionados a Epstein, defendendo que o público americano tem direito de conhecer todos os detalhes. Do lado democrata, a pressão é ainda maior: parlamentares querem usar o episódio para expor possíveis contradições e vínculos incômodos do presidente com um dos maiores escândalos de abuso sexual da história recente dos Estados Unidos.
Embora Trump insista em negar qualquer envolvimento, a repercussão do cartão reforça uma narrativa que o acompanha há anos. Nos anos 1990, o ex-presidente chegou a se referir a Epstein como um “cara fantástico” e “divertido de se estar junto”, mas depois rompeu relações, especialmente após disputas pessoais e jurídicas. Agora, com a assinatura controversa estampada em um desenho provocativo e documentos chegando ao Congresso, o episódio volta a colocar em xeque a credibilidade de Trump, justamente em um momento de grande polarização política no país.

