Troca de recados antecipa clima do duelo entre Cícero e Lucas na corrida pelo Governo da Paraíba
23/02/2026 22:13
Redação ON Reprodução

Antes mesmo de qualquer debate oficial, a disputa pelo Governo da Paraíba em 2026 começou a ganhar contornos de confronto público entre os dois nomes mais bem colocados nas pesquisas: o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e o vice-governador Lucas Ribeiro, que assume o comando do Executivo estadual em abril. O embate, ainda informal, surgiu em falas separadas, mas conectadas por um fio claro de provocação e resposta.

Cícero, líder nas últimas sondagens de intenção de voto, aproveitou um evento institucional da Prefeitura de João Pessoa para mandar um recado aos adversários. Em tom confiante e com linguagem regional carregada de simbolismo, afirmou que não tem medo da disputa e recorreu à metáfora do “cipó”, dizendo que enverga, cura e depois “dá a lapada”. A fala, apesar de informal, foi lida nos bastidores como uma demonstração de força política e de disposição para o embate eleitoral.

A resposta veio de Lucas Ribeiro, em entrevista, com um contra-ataque que foi além da disputa pessoal e entrou no terreno da memória política da Paraíba. Sem citar nomes diretamente, Lucas afirmou que não teme a “velha política” e associou esse passado a um tempo em que conflitos eram resolvidos “no tiro, na bala”. A referência foi interpretada como uma alusão direta ao histórico envolvendo a família Cunha Lima, recentemente aliada de Cícero Lucena, e ao episódio em que o então governador Ronaldo Cunha Lima atirou no ex-governador Tarcísio Burity, nos anos 1990 — um caso que marcou a política paraibana e permanece vivo no imaginário popular.

Ao contrapor “lapada” e “bala”, os dois pré-candidatos acionam símbolos distintos para falar de poder, enfrentamento e estilo político. Cícero se apoia numa retórica de força pessoal, ancorada em imagens da cultura nordestina, como quem diz que não foge da briga. Lucas, por sua vez, tenta enquadrar o adversário e seus aliados no rótulo de um passado que, segundo ele, representa atraso, violência e práticas que não cabem mais no discurso político contemporâneo.

O episódio, ainda que episódico, antecipa o tom que deve marcar a campanha. De um lado, um candidato que lidera as pesquisas e busca se apresentar como figura experiente, cascudo, que “aguenta pancada”. Do outro, o nome da base governista que tenta se diferenciar evocando a ideia de renovação e distanciamento da chamada velha política, mesmo carregando o peso de estar à frente da máquina estadual.

Por enquanto, o embate é retórico e simbólico. Mas o fato de ambos já estarem trocando farpas em público, ainda em 2026 distante, indica que o confronto não ficará restrito a projetos e programas de governo. A campanha começa a desenhar um duelo de narrativas: passado versus presente, tradição versus renovação, força pessoal versus memória histórica. Se esse será o eixo central da disputa, o eleitor paraibano ainda vai dizer. Mas o clima de debate, mesmo sem palco oficial, já está armado.

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