Tribunal da Paraíba identifica golpe com sentença falsa e expõe esquema já visto em outros estados
29/01/2026 08:03
Redação ON Reprodução

A tentativa de manipular uma condenação criminal por meio de uma decisão judicial inexistente acendeu um sinal de alerta no Tribunal de Justiça da Paraíba. O episódio revelou um método de fraude que já foi identificado em outros estados e que se aproveita da circulação de documentos falsos dentro do próprio sistema judicial.

O caso veio à tona após a chegada de uma suposta revisão criminal à Vara de Execuções Penais, atribuída a um desembargador do próprio Tribunal. O documento determinaria a redução da pena de um detento do sistema penitenciário estadual, mas apresentava inconsistências que chamaram a atenção da magistrada responsável.

Diante da suspeita, a juíza Andréa Arcoverde buscou confirmação direta com o desembargador Joás de Brito (foto em destaque) e constatou que a decisão nunca havia sido proferida. A partir daí, ficou claro que se tratava de uma sentença forjada, criada para produzir efeitos jurídicos indevidos.

Durante sessão do Órgão Especial, o próprio Joás de Brito relatou o uso indevido de seu nome e alertou para a gravidade do caso. A desembargadora Fátima Bezerra confirmou o episódio e revelou que os responsáveis pela fraude chegaram a procurar a Ouvidoria do Tribunal, cobrando o cumprimento imediato da ordem falsa, numa tentativa de criar pressão institucional.

A investigação foi encaminhada à Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, que agora apura quem produziu o documento e como ele passou a circular. Em outros estados, golpes semelhantes já foram registrados, sempre com o mesmo padrão: decisões inexistentes, assinaturas atribuídas a magistrados e tentativa de acelerar o cumprimento antes de qualquer checagem.

O avanço de ferramentas tecnológicas também entrou no debate. Segundo Joás de Brito, a facilidade de produção de documentos com aparência oficial exige redobrada atenção por parte do Judiciário e pode demandar novas medidas internas de segurança.

O episódio reforça a preocupação do Tribunal da Paraíba com um tipo de fraude que não é pontual. Ao contrário, segue um modus operandi já conhecido no país e que volta a testar os mecanismos de proteção do sistema judicial brasileiro.

canal whatsapp banner

Compartilhe: