Viver e trabalhar fora do Brasil deixou de ser um plano distante para milhões de pessoas. Hoje, cerca de 5 milhões de brasileiros moram no exterior, impulsionados principalmente por oportunidades profissionais, busca por estabilidade financeira, segurança e qualidade de vida.
A consultora em carreira internacional Rachel Alvarez é um exemplo desse movimento. Após passar dez anos em Londres atuando na área de recursos humanos, ela retornou ao Brasil e, desde 2016, orienta profissionais interessados em construir carreira fora do País.
Segundo Alvarez, o primeiro passo é entender o mercado de trabalho do país escolhido: quais áreas estão em alta, quais competências são exigidas e como está o cenário migratório. A dica é não inverter a ordem. Primeiro vem a vaga, depois o visto. O currículo também precisa ser repensado, com foco em resultados e experiências, já que diplomas e certificados têm peso menor no exterior.
Entre os países mais atrativos para 2026, a Alemanha aparece no topo da lista, impulsionada por políticas migratórias mais flexíveis para suprir a escassez de mão de obra, especialmente nas áreas de engenharia, saúde e tecnologia. O idioma alemão ainda é um obstáculo em algumas funções.
O Canadá segue como um dos destinos preferidos, sobretudo para casais, mas deve endurecer suas regras nos próximos anos, o que torna o próximo período estratégico para quem pretende se mudar. Irlanda e Espanha também ganham destaque, seja pelas oportunidades profissionais, seja pela expectativa de mudanças nas políticas migratórias, apesar do alto custo de vida em algumas regiões.
Fora das rotas tradicionais, Austrália, Nova Zelândia e Malta surgem como boas alternativas para quem domina o inglês e possui qualificação alinhada às demandas locais. A Nova Zelândia, inclusive, vem atraindo profissionais do setor agrícola, com bom retorno financeiro.
Em contrapartida, Estados Unidos, Reino Unido e Portugal perderam parte do apelo. O endurecimento das regras migratórias, dificuldades de acesso a vistos e relatos de xenofobia pesam contra esses destinos.
Independentemente do país escolhido, a recomendação é a mesma: pesquisar bem o mercado, adaptar o currículo às exigências locais e evitar candidaturas genéricas. A demanda da área continua sendo o principal fator para transformar o plano de trabalhar fora em realidade.

