A primeira sessão da Assembleia Legislativa da Paraíba após as recentes mudanças no comando do governo do estado e da prefeitura de João Pessoa mostrou que o clima político já entrou definitivamente em modo eleitoral. O plenário virou palco de um embate que misturou disputa de paternidade de ideias, provocações pessoais e reposicionamento de adversários históricos.
O estopim foi um tema que, em tese, deveria unir: a proposta anunciada pelo governador Lucas Ribeiro de transformar a Granja Santana, residência oficial do chefe do Executivo estadual, em um parque sensorial voltado para pessoas com autismo. A iniciativa, apresentada no discurso de posse, rapidamente saiu do campo institucional e entrou no terreno da disputa política.
Coube ao deputado Felipe Leitão puxar o fio da polêmica. Em tom crítico, ele afirmou que a proposta não seria original do governo, mas sim uma ideia já defendida pelo prefeito Cícero Lucena. Ao trazer o tema para o plenário, Leitão não apenas questionou a autoria da iniciativa, como também tentou reposicionar o debate dentro do campo político, vinculando a proposta ao grupo aliado do prefeito da capital.
A resposta veio em tom direto da deputada Cida Ramos, presidente estadual do PT. Em meio ao bate-boca, ela desviou o foco da discussão e partiu para o enfrentamento político, alertando o colega para que olhasse para Bayeux, sua própria base eleitoral. A fala, carregada de recado, mostrou que o embate ultrapassava a discussão sobre políticas públicas e já se inseria no jogo mais amplo das articulações eleitorais.
Por trás da discussão no plenário, estava um episódio que havia incendiado os bastidores dias antes. O ex-deputado Pedro Cunha Lima, adversário histórico do grupo governista, publicou nas redes sociais um elogio à proposta de transformar a Granja Santana. No texto, afirmou que pouco importava quem executaria a ideia, desde que ela fosse levada adiante. A repercussão foi imediata e intensa, gerando desconforto entre aliados, o que levou Pedro a apagar a publicação.
A retirada do post não encerrou o assunto. Pelo contrário, ampliou a curiosidade e alimentou especulações sobre um possível reposicionamento político. Diante da repercussão, Pedro voltou às redes para explicar o episódio, reafirmando sua defesa da utilização pública do espaço e tentando contextualizar sua posição.
O episódio revela mais do que um simples desentendimento pontual. Ele expõe um cenário em que ideias deixam de ser apenas políticas públicas e passam a ser ativos políticos disputados. A Granja Santana, que por décadas simbolizou o poder institucional, agora se transforma também em símbolo de disputa narrativa.
A sessão mostrou que, mesmo antes do início formal da campanha, os atores políticos já estão em campo, atentos a cada movimento e prontos para capitalizar qualquer tema que possa render dividendos eleitorais. E, nesse contexto, até mesmo um projeto com forte apelo social vira combustível para embates e reposicionamentos.
O recado que fica é claro: mais do que discutir quem teve a ideia, a política paraibana já começa a disputar quem vai conseguir convencer o eleitor de que tem legitimidade para executá-la.
