Os consumidores dos Estados Unidos vinham sentindo pouco os efeitos das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, já que muitas empresas optaram por absorver parte dos custos da importação para evitar repassar diretamente aos clientes. Mas agora, um hábito diário virou lembrete constante da política comercial agressiva: a xícara de café da manhã ficou mais cara.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o tarifaço incomoda os americanos justamente na hora de tomar o cafezinho. O preço da bebida subiu 20,9% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado — o maior salto desde a década de 1990, de acordo com o Bureau of Labor Statistics. Só em agosto, a alta foi de 3,6%.
O aumento reflete a combinação de fatores externos, como secas no Brasil e no Vietnã, com a política tarifária de Trump, que impôs taxas de 50% sobre as importações brasileiras, 20% sobre as vietnamitas e 19% sobre as indonésias. Antes mesmo dessas medidas, torrefadoras já enfrentavam dificuldades com o abastecimento global.
Por algum tempo, empresas de café conseguiram absorver parte dos custos adicionais, incluindo a tarifa geral de 10% sobre os parceiros comerciais dos EUA. Agora, porém, o espaço para manter preços estáveis acabou. Cafeterias em todo o país começaram a repassar os aumentos para os clientes.
Em Nova York, a Corvo Coffee publicou uma nota explicando que resistiu quanto pôde, mas não havia mais como manter os valores antigos. O preço de uma xícara de café coado passou de US$ 2,50 para US$ 3,75 em apenas uma semana, simbolizando o impacto direto da política comercial no bolso dos consumidores.