sábado, 14 de março de 2026
Suplência no Senado ganha peso real na disputa política na Paraíba
20/02/2026 05:33
Redação ON Reprodução

A reviravolta protagonizada nesta semana pelo ex-secretário municipal Diego Tavares trouxe para o centro do debate um tema quase sempre tratado de forma secundária nas campanhas: a suplência no Senado. Até o fim de semana, Diego era visto como aliado de Cícero Lucena. Ao deixar a Prefeitura de João Pessoa e declarar apoio ao vice-governador Lucas Ribeiro, do PP, rompeu politicamente com o grupo do prefeito e expôs uma disputa que vai além do alinhamento local.

Cícero atribuiu a mudança de posição à possibilidade de Diego assumir temporariamente o mandato da senadora Daniella Ribeiro, de quem é primeiro suplente. Segundo o prefeito, teria havido a oferta de uma licença para que o ex-secretário ocupasse a vaga no Senado e ganhasse visibilidade nacional antes de disputar a eleição proporcional. Daniella reagiu de forma dura, negou qualquer acordo e classificou a versão como mentira, o que elevou o tom do confronto político.

O episódio evidencia a importância prática da suplência. Embora os suplentes não sejam eleitos diretamente pelo eleitor, passam a exercer mandato pleno sempre que o titular se licencia para tratar de interesses pessoais, participar de articulações eleitorais ou assumir funções no Executivo. Na prática, ocupam o mesmo espaço institucional de um senador eleito.

Na Paraíba, há exemplos recentes desse mecanismo em funcionamento. Em 2021, Veneziano Vital do Rêgo se licenciou por 121 dias e o então primeiro suplente, Ney Suassuna, assumiu a cadeira. Recentemente Suassuna chegou a se queixar,de promessas não cumpridas de novos afastamentos e de maior espaço político, o que hoje praticamente afasta a hipótese de repetição da dobradinha.

No caso de Daniella Ribeiro, a senadora se licenciou em 2020 para coordenar campanhas eleitorais. Diego Tavares assumiu a vaga em setembro daquele ano e permaneceu por cerca de quatro meses. Em janeiro de 2021, ao se afastar para ocupar secretaria na Prefeitura de João Pessoa, abriu espaço para uma breve passagem de Nailde Panta pelo exercício do mandato. Em poucos meses, três nomes diferentes ocuparam a mesma cadeira no Senado.

Mais recentemente, em 2024, o senador Efraim Filho se licenciou por 120 dias para se dedicar às articulações das eleições municipais. Durante esse período, o empresário André Amaral assumiu a vaga e exerceu o mandato no segundo semestre do ano.

Nada definido em 2026

Apesar do peso político do cargo, os pré-candidatos ao Senado em 2026 evitam tratar do tema. Procurados, limitam-se a dizer que ainda é cedo para discutir suplência. Nos bastidores, porém, especulações já circulam. Desde o ano passado, surgiu a conversa de que o empresário Ernildo Júnior, dono da  Pixbet, teria se colocado à disposição para compor como suplente em uma eventual chapa encabeçada pelo governador João Azevêdo. O assunto não avançou e não empolgou o governador, que ainda não indicou nomes para as vagas de suplência.

Outro caso curioso foi a vinculação do nome do advogado Carlos Vieira Filho, filho do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira Fernandes, como possível suplente em alguma chapa. A informação foi checada e nem o próprio advogado tinha conhecimento de qualquer articulação, o que reforça que, por enquanto, o debate sobre suplentes permanece mais no campo da especulação do que das definições concretas.

O caso Diego Tavares – um quadro cada vez mais promissor – deixa claro que a suplência está longe de ser um detalhe técnico. Em um cenário de rearranjos políticos e construção de chapas para 2026, trata-se de um espaço estratégico, capaz de influenciar alianças, provocar rupturas e redefinir trajetórias políticas.

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