Superfederação PP-União nasce com discurso de oposição, mas há quem aposte no apoio a Lula em 2026
29/04/2025 21:06
Redação ON Reprodução

Lançada oficialmente nesta terça-feira (29), a superfederação formada por PP e União Brasil já começa com um conflito de identidade. Embora o grupo tenha apresentado um discurso com fortes críticas — veladas e explícitas — ao atual governo federal, o ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), afirmou que espera ver a nova federação alinhada à reeleição do presidente Lula (PT) em 2026.

Durante o evento de anúncio, realizado no Salão Negro da Câmara dos Deputados, lideranças do novo bloco defenderam um “choque de prosperidade” e atacaram, sem citar nomes, a atuação do Estado como entrave ao crescimento econômico. “O Estado não pode continuar sendo um obstáculo à prosperidade”, diz o manifesto lido durante a solenidade.

Apesar da presença de ministros da federação na Esplanada, como André Fufuca (Esporte) e o próprio Sabino (Turismo), nenhum deles foi convidado a discursar. O silêncio sobre o governo Lula, contudo, foi quebrado do lado de fora do evento. Em entrevista, Celso Sabino declarou: “Acreditamos que, até o momento de tomar a decisão oficialmente, estaremos alinhados em todas as alas da federação para apoiar o presidente Lula”.

O cenário, no entanto, está longe de ser consensual. A nova federação terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 109 parlamentares, e 14 senadores — mesma quantidade de PSD e PL. Apesar da força numérica, internamente, o bloco ainda enfrenta disputas de protagonismo e não conseguiu definir nem mesmo seu presidente.

Enquanto parte do União Brasil — ligado a Davi Alcolumbre e que comanda três ministérios — se mantém próximo ao Palácio do Planalto, há alas de oposição claras. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência em 2026, faz duras críticas à gestão de Lula. Na Câmara e no Senado, vozes como Kim Kataguiri (SP) e Sergio Moro (PR) completam a ala mais radicalmente contrária ao governo.

No PP, o quadro é ainda mais nítido. O partido é presidido pelo senador Ciro Nogueira (PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) e um dos principais articuladores da oposição ao PT no Congresso. Ainda assim, mantém André Fufuca como ministro do Esporte no atual governo.

Procurado pelo portal O Norte Online, o senador Efraim Filho (União Brasil-PB) foi questionado sobre qual será o real posicionamento político da nova federação. Até o fechamento desta matéria, ele não respondeu.

A superfederação nasce, portanto, forte no tamanho, mas fraturada na direção. Apoiar Lula ou romper com o governo? A resposta, por enquanto, depende de quem se ouve — e de quem prefere o silêncio.

canal whatsapp banner

Compartilhe: