João Pessoa, terça-feira, 8 de setembro de 2026
Sucessão na Paraíba: Efraim entra no jogo e bagunça o tabuleiro da oposição
11/07/2025 11:36
Redação ON Reprodução

A semana termina com novos ingredientes fervendo no caldeirão da sucessão estadual na Paraíba. Se o lado governista já era um festival de indefinições – com o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), o prefeito Cícero Lucena (PP) e o presidente da Assembleia, Adriano Galdino (Republicanos), todos querendo a bênção do governador João Azevêdo (PSB) –, agora o campo da oposição também começa a se mover. E com impacto.

O senador Efraim Filho (União Brasil) voltou ao centro da disputa. Mais do que isso: encontrou uma luz no fim do túnel que parecia cada vez mais distante desde que a federação entre União Brasil e PP lhe tirou a liberdade de decidir o rumo de sua própria legenda em 2026.

O apoio do PL – leia-se bolsonarismo – reacendeu as chances de Efraim liderar a chapa oposicionista. O senador admite os “avanços” nas conversas com o ex-ministro Marcelo Queiroga, presidente estadual do PL, mas ainda evita bater o martelo sobre a filiação. A hesitação não é por acaso: ele aguarda o desfecho da crise interna na federação União-PP, que pode romper de vez com o governo Lula nas próximas semanas.

Se esse rompimento acontecer, Efraim terá sinal verde para seguir o caminho bolsonarista sem culpa no cartório. E colocará em xeque a candidatura de Lucas Ribeiro, que, ao continuar aliado do PSB e do governo federal, terá que decidir se vota com a base… ou pede um “green card” para não ter que subir no palanque de um candidato anti-Lula.

Um gesto que afastou outro aliado

O possível ingresso de Efraim no PL causou repercussão imediata. Quem sentiu o golpe foi o pastor Sérgio Queiroz, até então o nome escolhido por Jair Bolsonaro para disputar o Senado na futura chapa encabeçada por Queiroga. Diante do avanço de Efraim, Sérgio declinou publicamente da pré-candidatura. Disse que precisava priorizar seu “ministério pastoral”, mas nos bastidores, o recado foi claro: perdeu o espaço para um político mais consolidado e de maior capilaridade.

O telefonema revelador

Detalhe curioso – e revelador: o Norte Online foi testemunha involuntária de uma ligação entre Efraim e Queiroga. A conversa, que não era para ser pública, foi marcada por entusiasmo e alinhamento. Dava a impressão de que o acordo já estava mais do que encaminhado. Depois da publicação dessa notícia no portal, Efraim correu para a imprensa e disse que ainda analisava convites de vários partidos. Mas agora, dias depois, em entrevista ao blog de Luiz Torres, confirmou: o caminho natural é o PL.

Teto e chão

É evidente que assumir o papel de candidato do bolsonarismo impõe um teto eleitoral a Efraim. Na Paraíba, onde Lula teve quase 70% dos votos em 2022, isso não é pouca coisa. Mas também é verdade que o senador ganha algo que até então lhe faltava: um piso sólido. Traduzindo em bom paraibanês: é melhor 50% de alguma coisa do que 100% do nada.

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