O Supremo Tribunal Federal caminha para um novembro que pode ser devastador para o bolsonarismo. Primeiro, o julgamento dos embargos de Jair Bolsonaro – já no dia 7 – e, logo em seguida, a análise da denúncia contra Eduardo Bolsonaro, seu filho zero-três. E tudo indica que os dois serão derrotados, sem debate público, no plenário virtual da Primeira Turma. A análise é de Carolina Brigido, colunista do jornal O Estado de S. Paulo.
Sem Luiz Fux na Primeira Turma – ele foi deslocado para a Segunda –, as decisões relativas à trama golpista passaram a ser muito menos imprevisíveis. Fux era, quase sempre, o voto dissonante contra o relator Alexandre de Moraes. Agora, com a nova formação, as decisões devem ser unânimes.
No caso do ex-presidente, a avaliação interna é de que o resultado do julgamento dos embargos não muda nada no mérito nem na pena. Ou seja, o calendário está mantido: a ordem para que ele comece a cumprir a pena de 27 anos e três meses deve ser expedida ainda neste mês de novembro. Em princípio, Bolsonaro deve ir para uma cela especial da Polícia Federal e, dependendo do estado de saúde, pode voltar à prisão domiciliar.
Há um temor no STF: que a prisão domiciliar, em plena pré-campanha de 2026, vire palanque político. Mas se houver comprovação de quadro clínico grave, o benefício deve ser concedido de qualquer forma.
Já a denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro – por tentativa de influenciar agentes políticos dos Estados Unidos a pressionarem o STF, buscando desbloquear a situação do pai – deve ser recebida sem maiores resistências. O inquérito vira ação penal, e Eduardo vira réu.
Paulo Figueiredo, blogueiro e aliado de Eduardo nesse movimento, teve sua parte desmembrada e será analisado em outro momento pelo Supremo.
E tem mais: no radar diplomático, Lula espera avançar com Donald Trump para derrubar o tarifaço. Se isso prosperar, mais um golpe simbólico e político pode atingir a família Bolsonaro: todo o esforço do clã pela Casa Branca pode ir por água abaixo exatamente no mês em que Jair estará preso e Eduardo se torna réu.