Na véspera do julgamento histórico de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já se coloca no tabuleiro de 2026 como provável candidato à Presidência e prometeu que, se eleito, seu primeiro ato seria conceder um indulto ao ex-presidente. A declaração, porém, foi classificada como uma ilusão pela jornalista Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo e comentarista da Band, que trouxe informações de bastidores de Brasília em um podcast da emissora.
Segundo Bergamo, ministros do STF já firmaram posição em diversos julgamentos de que não existe indulto possível para crimes contra a democracia, como os relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “Isso não está na Constituição de forma explícita, mas é considerado óbvio: trata-se de um crime gravíssimo, que não pode ser perdoado”, afirmou. Ela lembrou que até o ministro Luiz Fux, em quem os bolsonaristas depositam esperanças de manobras no julgamento, já se manifestou contra qualquer possibilidade de indulto a quem tenta destruir o regime democrático.
A jornalista detalhou ainda que a única maneira de viabilizar tal hipótese seria por meio de uma mudança radical na composição do Supremo — algo que levaria ao menos oito anos, com a aposentadoria e substituição de ministros por presidentes de perfil alinhado ao bolsonarismo. “Não há garantia sequer de que o próximo presidente será bolsonarista, quanto mais dois presidentes seguidos para alterar a corte nesse grau”, frisou.
Para Bergamo, o discurso de Tarcísio serve apenas para criar uma narrativa eleitoral, oferecendo ao eleitorado conservador a promessa de uma medida que, na prática, não tem qualquer chance de prosperar no cenário atual. “Indulto, graça ou anistia são meras ilusões vendidas ao eleitor”, concluiu.

