quarta-feira, 27 de maio de 2026
STF enterra aposentadoria compulsória como “prêmio” para juiz corrupto
26/05/2026 17:03
Redação ON Reprodução

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, nesta terça-feira (26), acabar com a aposentadoria compulsória remunerada como a pena máxima para juízes. A corte confirmou o voto do ministro Flávio Dino e rejeitou recurso da Procuradoria-Geral da República.

Na prática, a partir de agora, a punição mais severa para magistrados que cometerem infrações graves será a perda do cargo — com consequente corte total do salário. Antes, o juiz era afastado, mas continuava recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço. Críticos chamavam a medida de “prêmio” por manter o salário sem trabalhar.

A nova regra vale para juízes e ministros de todos os tribunais, com exceção do próprio STF.

Divergência de Zanin

O único voto divergente foi o de Cristiano Zanin. Ele discordou da tese de que os casos de perda de cargo após aposentadoria compulsória devem ser referendados pelo Supremo — posição vencida pela maioria da turma.

O que diz Dino

Segundo Flávio Dino, a reforma da Previdência de 2019 (Emenda Constitucional 103) extinguiu a aposentadoria compulsória como punição. Para ele, a sanção simplesmente “não cabe no ordenamento jurídico vigente”.

“Aos magistrados são aplicáveis as regras de aposentadoria do artigo 40 da Constituição, o qual não prevê a transferência compulsória para a inatividade com recebimento de aposentadoria como sanção”, afirmou o ministro.

Dados e contexto

Nos últimos 20 anos, 126 magistrados foram aposentados compulsoriamente por infrações como venda de sentenças, assédio moral e sexual, e favorecimento a facções criminosas.

A decisão de Dino foi motivada por um caso concreto: um juiz de Mangaratiba (RJ) que favorecia grupos políticos, milicianos e liberava bens sem manifestação do MP. O CNJ havia decretado sua aposentadoria compulsória.

PGR critica e ameaça levar ao plenário

A Procuradoria-Geral da República recorreu, sem sucesso, contra a decisão. Argumentou que a medida, apesar de “louvável”, expõe Judiciário e MP a pressões políticas e interfere na competência do Congresso.

A PGR ainda pode tentar levar o caso ao plenário do STF.

canal whatsapp banner

Compartilhe: