A pretensão de Hugo Motta (Republicanos-PB) de continuar na presidência da Câmara ganhou um obstáculo dentro do partido que ajudou a elegê-lo. Fortalecido pelo crescimento do PL, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) admite disputar o comando da Casa em fevereiro de 2027. Ele afirmou que nunca escondeu essa ambição, embora sua prioridade imediata seja a eleição de Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial.
Sóstenes foi reeleito com 170.290 votos, a sétima maior votação para deputado federal no Rio de Janeiro. Seu principal trunfo na disputa interna, porém, é o tamanho da bancada: o PL elegeu 121 deputados e poderá usar essa força para reivindicar a presidência da Câmara. A movimentação transforma um antigo aliado em potencial concorrente de peso para o parlamentar paraibano.
Hugo também renovou o mandato, mas saiu das urnas com uma votação menor. Recebeu 124.339 votos, contra 158.171 em 2022: uma perda de 33.832 votos, equivalente a aproximadamente 21,4%. Passou de primeiro para quinto entre os deputados federais mais votados da Paraíba. A redução não determina seu desempenho na eleição interna da Câmara, mas enfraquece a imagem de expansão política que a projeção nacional do cargo poderia sugerir.
Eleito presidente da Câmara com 444 votos, Hugo reuniu no mesmo palanque o PL e o PT. Seu perfil conciliador sustentava a promessa de interlocução entre adversários. Agora, a disposição do líder do PL de disputar o cargo indica que aquela aliança não tem renovação automática. Politicamente, o acirramento da polarização e o crescimento da bancada bolsonarista tornam mais difícil reconstruir a ponte que o levou ao comando da Casa.
Briga no Senado
No Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) também enfrenta um cenário desfavorável. Seu grupo sofreu derrotas nas disputas pelo governo e pelo Senado no Amapá, enquanto o PL conquistou a maior bancada da Casa, com 28 integrantes. A combinação amplia a pressão sobre o atual presidente e fortalece os defensores de uma candidatura própria do partido.
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, aparece como um dos principais nomes desse movimento. Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e eleito senador neste domingo, também é mencionado para a disputa. Marinho parte em posição mais favorável justamente pelo peso do PL na próxima legislatura.
Na Paraíba, a hipótese envolvendo Efraim Filho, derrotado por Lucas Ribeiro na disputa pelo governo, deve ser tratada como especulação, sem candidatura ou apoio partidário confirmados. Filiado ao PL neste ano e com mandato no Senado até 2031, ele terá de encontrar espaço em uma articulação na qual Marinho já aparece com projeção nacional. Ter o nome lembrado pode ajudar a preservar prestígio após a derrota estadual; transformar essa lembrança em votos entre os senadores é outra etapa.
