Antes de a Pixbet movimentar bilhões, patrocinar alguns dos maiores clubes do país e transformar Ernildo Júnior em figura conhecida nacionalmente, havia a Futebol Fácil. Foi nesse negócio que o carioca Paulo César da Silva afirma ter dividido com o empresário paraibano o trabalho, os riscos e a sociedade, em partes iguais.
Agora, Paulo César resolveu expor publicamente a briga. Dias atrás, em vídeo publicado nas redes sociais, ele chamou Ernildo repetidas vezes de “pilantra” e “safado”, acusando o antigo parceiro de ter se apropriado do negócio quando o dinheiro começou a entrar.
“Nós construímos essa empresa juntos. Formamos todo esse banco de dados juntos e criamos a Futebol Fácil juntos”, declarou.

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Segundo Paulo César, os dois começaram operando bancas de apostas em comunidades do Rio de Janeiro e desenvolveram um sistema de apostas on-line. Ele sustenta que levou Ernildo para o Rio, ajudou a estruturar a operação e posteriormente ficou sem acesso ao dinheiro e às informações da empresa.
“Na hora de ganhar dinheiro, esse cara me roubou, levou tudo”, acusou. A declaração representa a versão de Paulo César e não significa que Ernildo tenha sido condenado por apropriação de recursos.
A existência da sociedade não está apenas no relato publicado nas redes sociais. Paulo César apresentou documentos segundo os quais os dois possuíam metade das cotas da Silva e Farias Serviços Ltda., conhecida como Futebol Fácil.
No último dia 18, a 3ª Vara Cível de Campina Grande determinou que Ernildo preste contas da administração da empresa desde sua constituição, em julho de 2016. A decisão corresponde à primeira fase do processo e reconhece o dever de apresentar as contas, sem ainda estabelecer a existência ou o valor de qualquer dívida com Paulo César.
“Somos sócios, fifty-fifty. Ele é obrigado a prestar contas comigo”, afirmou Paulo César, que prometeu revelar novos episódios sobre a origem e o crescimento do negócio. “Vou mostrar como essa história começou e como está chegando ao fim.”
Da Futebol Fácil à Pixbet
Registros sobre o início da Futebol Fácil mostram que Ernildo e Paulo César abriram uma banca na Rocinha, no Rio de Janeiro, em 2015. Posteriormente, os dois mantiveram uma empresa com o mesmo nome na Paraíba.
A Pixbet cresceu na esteira da expansão das apostas digitais e chegou ao ponto mais alto de sua exposição ao ocupar o espaço principal da camisa do Flamengo. O acordo previa pagamentos de até R$ 125 milhões por temporada, caso fosse prorrogado até 2027.
A parceria, entretanto, terminou antecipadamente em agosto de 2025. Oficialmente, Flamengo e Pixbet anunciaram uma rescisão amigável, embora a imprensa esportiva tenha informado que o clube estava insatisfeito com atrasos no pagamento de parcelas.
Cerco sobre a Pixbet
A denúncia pública de Paulo César aparece no momento mais delicado da trajetória de Ernildo. No dia 13 de agosto, a Polícia Federal deflagrou a Operação Arena para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação envolvendo empresas de apostas.
Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados, com autorização para o sequestro de até R$ 1,1 bilhão. Ernildo foi abordado em Campina Grande e teve o carro e o telefone celular apreendidos. Ele não foi preso. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.
Paralelamente, o Ministério da Fazenda suspendeu cautelarmente a autorização federal da Pixbet por falta de documentos obrigatórios e de mecanismos adequados para acompanhar jogadores compulsivos. A empresa ficou autorizada a manter o site disponível para saques, além de poder operar onde possui licenças estaduais. A medida administrativa foi aberta antes da Operação Arena e tramita separadamente.
Amigos de ontem
Nos tempos de prosperidade, Ernildo também se aproximou publicamente de políticos paraibanos de diferentes partidos. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o empresário trocando elogios, agradecendo parcerias e oferecendo apoio a nomes que atualmente disputam cargos importantes nas eleições estaduais.
Depois da Operação Arena e da sucessão de problemas envolvendo a Pixbet, porém, os afagos desapareceram. Os políticos que antes faziam questão de aparecer ao lado do empresário agora parecem fugir de Ernildo como o diabo foge da cruz.

