Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, faleceu na noite desta quarta-feira (4/3) no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Ele havia sido preso horas antes durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias e uma rede de intimidação ligada ao Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava na carceragem da Superintendência Regional da PF em Minas Gerais. Ele foi encontrado pelos agentes, que realizaram manobras de reanimação até a chegada do SAMU. Apesar do socorro, o hospital confirmou a morte encefálica no início da noite.
Quem era o “Sicário”?
As investigações da PF e as decisões do ministro André Mendonça (STF) pintam o perfil de um operador central e perigoso dentro da organização supostamente chefiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
• O “Braço Operacional”: Mourão era o coordenador de um grupo informal apelidado de “A Turma”. Sua função era monitorar, perseguir e intimidar pessoas consideradas adversárias dos interesses do grupo econômico.
• Ameaças a Jornalistas: Mensagens interceptadas revelaram planos agressivos. Em um dos diálogos, Vorcaro teria ordenado que Mourão “desse um pau” e “quebrasse os dentes” do jornalista Lauro Jardim (O Globo), simulando um assalto, devido a reportagens desfavoráveis.
• Invasão de Sistemas Globais: O grupo é acusado de acessar ilegalmente dados sigilosos não apenas da PF e do Ministério Público Federal, mas também de organismos internacionais como o FBI e a Interpol, utilizando credenciais de terceiros.
• Alta Remuneração: Relatórios indicam que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar esses serviços ilícitos e garantir a “neutralização” de ameaças ao esquema.
Desdobramentos
A Polícia Federal informou que entregará ao STF todas as imagens das câmeras de segurança que registraram a dinâmica do ocorrido na cela. Um inquérito interno foi aberto para apurar se houve qualquer falha de protocolo na custódia do preso.