Sem pagamento, Prefeitura de Campina Grande vira alvo de ação de despejo
10/01/2026 10:26
Redação ON Reprodução

A situação financeira da Prefeitura de Campina Grande deixou de ser um comentário de bastidor e passou a fazer parte do cotidiano da cidade. Os relatos de dificuldades, atrasos e falta de respostas se acumulam e já não surpreendem servidores, fornecedores nem a população. O que chama atenção agora é que os efeitos desse cenário começam a ganhar contornos judiciais e a produzir casos cada vez mais rumorosos.

O episódio mais recente envolve um idoso de 74 anos que recorreu à Justiça para pedir o despejo das Secretarias de Administração e de Obras de um imóvel de sua propriedade, localizado na Rua Irineu Joffily, no Centro. Segundo a ação, a Prefeitura acumula seis meses de atraso no pagamento do aluguel, comprometendo a única fonte de renda do proprietário, que é aposentado e portador de doenças crônicas.

De acordo com o processo, o contrato não foi renovado e, ainda assim, o prédio segue ocupado pelo poder público. O autor da ação sustenta que a permanência das secretarias no imóvel configura ocupação irregular, o que o impede de exercer plenamente o direito sobre sua propriedade. O argumento central é que o município, mesmo após o fim do vínculo contratual, continua utilizando o espaço sem contraprestação financeira.

O caso ganha peso justamente por ocorrer em meio a um ambiente já marcado por queixas semelhantes. Na virada do ano, às vésperas do Réveillon, uma aposentada entrou em contato com a redação do portal Norte Online relatando que não havia recebido o salário de dezembro nem o décimo terceiro. A reportagem tentou ouvir representantes da Prefeitura, mas não obteve retorno. Diante da ausência de qualquer resposta oficial, a aposentada optou por não se identificar.

Embora de naturezas diferentes, os episódios apontam para o mesmo pano de fundo: dificuldades financeiras e administrativas que afetam diretamente quem depende do município, seja como servidor, aposentado ou prestador de serviço. No caso do imóvel ocupado pelas secretarias, a situação avançou para o Judiciário, ampliando o desgaste institucional.

Em nota, a Prefeitura de Campina Grande afirmou que não houve interrupção de serviços no prédio e que o desligamento da energia elétrica ocorrido no dia 5 se deu por solicitação do proprietário à concessionária, já que o contrato estava em seu nome. Segundo a gestão, assim que a empresa foi informada de que se tratava de um órgão público em funcionamento, o fornecimento foi restabelecido.

A administração municipal informou ainda que expediu notificação extrajudicial ao proprietário para garantir a continuidade dos serviços e que só tomou conhecimento formal da ação de despejo por meio da imprensa. Sobre os valores em aberto, a Prefeitura afirmou que estão em tratamento administrativo e que a discussão envolve também questões contratuais e jurídicas, como a vigência do contrato e a legalidade da posse, que serão analisadas pela Justiça.

Enquanto a controvérsia segue para as instâncias judiciais, o episódio se soma a outros sinais de fragilidade financeira da gestão municipal, reforçando a percepção de que Campina Grande enfrenta um momento delicado, no qual problemas antes restritos aos bastidores agora vêm à tona de forma pública e cada vez mais difícil de ignorar.

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