A convocação anunciada por Carlo Ancelotti para os dois amistosos finais da seleção brasileira antes da Copa do Mundo revelou muito mais do que uma simples lista de jogadores. Revelou também que, apesar de todo o discurso de estabilidade feito nos últimos meses, o treinador italiano ainda não tem o grupo completamente fechado.
A relação apresentada pelo técnico mistura algumas escolhas previsíveis com um número surpreendente de novidades. E essa combinação acabou criando uma pequena contradição em relação ao que o próprio Ancelotti vinha defendendo nas últimas entrevistas.
Nas convocações anteriores, o treinador afirmava que, a esta altura do calendário, sua intenção era trabalhar com uma base praticamente definida, apenas ajustando detalhes para chegar ao Mundial com o grupo consolidado. A lista divulgada agora, no entanto, sugere que o processo ainda está bem mais aberto do que parecia.
A ausência de Neymar
Se houve uma ausência que não surpreendeu ninguém, foi a de Neymar.
O atacante do Santos vive um momento complicado fisicamente e tecnicamente. No clássico deste domingo contra o Corinthians, voltou a campo visivelmente fora de forma e longe da intensidade que já o caracterizou em outros momentos da carreira.
A frustração de Ancelotti com o camisa 10 começou ainda na semana passada. O treinador esteve no Brasil para observar Neymar de perto no jogo contra o Mirassol, mas acabou voltando sem vê-lo em campo, já que o atacante não atuou naquela partida.
Diante desse cenário, a decisão de deixá-lo fora da convocação acabou sendo quase natural.
Curiosamente, o fato de Ancelotti ainda testar novos nomes pode até acabar ajudando o próprio Neymar. Se o técnico ainda não tem o grupo completamente definido, ainda existe uma janela para que o atacante recupere a forma e volte a entrar na disputa por uma vaga na Copa do Mundo.
Novos nomes na lista
O que realmente chamou atenção na convocação foi a quantidade de jogadores chamados pela primeira vez.
Alguns nomes são compreensíveis. Endrick, por exemplo, vive grande fase e já vinha pedindo passagem. Rayan, ex-Vasco, tem feito uma boa temporada na Premier League. Gabriel Sara também se consolidou como um dos principais destaques do Galatasaray.
Outro nome que apareceu como novidade foi o de Danilo, do Botafogo, que ganhou espaço após boas atuações recentes.
O curioso é que muitos desses jogadores podem sequer ter grande participação nos amistosos. Em alguns casos, a convocação pode servir apenas para observação mais próxima nos treinamentos.
Mesmo assim, a presença de tantos novatos reforça a impressão de que a lista definitiva para a Copa ainda não está completamente desenhada.
Uma base sólida – mas com lacunas
O esqueleto da seleção parece relativamente claro.
No gol, o Brasil segue bem servido com Alisson, um dos melhores do mundo. A defesa tem algumas peças consolidadas, especialmente Marquinhos, que continua sendo o grande líder do setor.
No meio-campo, porém, o time ainda parece buscar identidade. Há jogadores experientes como Casemiro e Fabinho, mas o setor carece de um grande protagonista técnico.
Mas é no ataque que a disputa se torna realmente feroz.
Uma disputa dura no ataque
Se Neymar quiser voltar à seleção, terá que enfrentar uma concorrência pesada.
A lista ofensiva inclui Vinícius Júnior, Raphinha, Martinelli, Matheus Cunha, João Pedro, Igor Thiago, Luiz Henrique, Endrick e Rayan. São muitas opções para poucas vagas.
Definir três titulares nesse pelotão de frente não será tarefa simples.
Isso significa que qualquer jogador que queira garantir espaço no ataque da seleção brasileira terá que apresentar algo a mais. Talento, regularidade e intensidade passaram a ser requisitos básicos.
E, neste momento, Neymar ainda está distante desse nível.
Convocação da seleção brasileira
Goleiros
Alisson (Liverpool), Bento (Al-Nassr), Ederson (Fenerbahçe)
Defensores
Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al-Ahly), Léo Pereira (Flamengo), Marquinhos (PSG), Wesley (Roma)
Meias
Andrey Santos (Chelsea), Casemiro (Manchester United), Danilo (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad), Gabriel Sara (Galatasaray)
Atacantes
Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth), Vini Jr. (Real Madrid), João Pedro (Chelsea)