segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Segundo debate esquenta campanha na Paraíba com ataques duros e golpes “abaixo da linha de cintura”
09/08/2026 21:18
Redação ON Reprodução

O segundo debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba elevou consideravelmente a temperatura da campanha eleitoral. Se o primeiro confronto, realizado na quarta-feira (5) pelas redes sociais, teve momentos de tensão, ele pareceu quase ameno diante do embate deste domingo (9), promovido pela TV Arapuan, afiliada da Band na Paraíba.

A estratégia central, porém, pouco mudou. Líder das pesquisas de intenção de voto, o governador Lucas Ribeiro (PP) voltou a concentrar a maior parte dos ataques de Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL), que disputam um jogo ainda aberto pela possibilidade de chegar ao segundo turno contra o atual chefe do Executivo.

A diferença esteve no tom. O debate avançou para acusações mais pesadas, algumas delas abaixo da linha de cintura, com questionamentos que ultrapassaram as diferenças administrativas e programáticas e atingiram aliados, familiares e a própria trajetória política dos candidatos.

Cícero e Efraim mantiveram, durante boa parte do confronto, uma espécie de tabelinha contra Lucas. Houve exceções. Em determinado momento, Cícero fez críticas ao prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, aliado de Efraim. No conjunto da obra, entretanto, o governador continuou sendo o alvo preferencial dos dois adversários.

Lucas, desta vez, também endureceu as respostas e partiu para o contra-ataque.

Um dos assuntos mais explorados contra o governador foi a Cagepa e o modelo adotado pelo governo para a participação da iniciativa privada nos serviços da companhia. Cícero e Efraim tentaram transformar o tema em um dos principais flancos da candidatura governista, enquanto Lucas rebateu as críticas e defendeu a condução do processo.

Acusações pessoais elevam temperatura

O debate ganhou contornos ainda mais duros quando Lucas associou Efraim a pessoas investigadas no escândalo envolvendo fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Efraim reagiu afirmando que possui décadas de vida pública sem processos e ressaltando sua condição de ficha limpa.

Contra Cícero, Lucas retomou uma acusação que já havia aparecido no primeiro debate: disse que o ex-prefeito deixou João Pessoa com graves problemas na coleta de lixo e que coube ao sucessor, Léo Bezerra, enfrentar a situação após sua saída da prefeitura.

Cícero respondeu atacando a autoridade política de Lucas dentro do próprio grupo governista. Citou uma fotografia que circulou nas redes sociais no período da convenção, em 5 de agosto, na qual lideranças como Aguinaldo Ribeiro e Hugo Motta aparecem discutindo a formação da chapa governista enquanto Lucas surge em posição mais afastada.

A imagem, isoladamente, evidentemente permite diferentes interpretações, mas Cícero a utilizou para sustentar a narrativa de que Lucas não comandaria efetivamente as decisões políticas de seu grupo.

Efraim seguiu caminho semelhante, mas foi ainda mais diretamente para o campo familiar. Disse que a campanha tenta apresentar o governador apenas como “Lucas”, evitando destacar o sobrenome Ribeiro, e relacionou a família política do candidato a denúncias e escândalos envolvendo historicamente integrantes do Progressistas. Lucas reagiu às acusações.

Durante o debate, Cícero acusou Lucas Ribeiro de ter contratado 135 pessoas com salários de quase R$ 15 mil somente no mês de junho. Enquanto o debate acontecia, Cícero publicou em suas redes sociais os nomes das pessoas que, segundo ele, foram contratadas, apresentando a relação como parte da acusação feita contra o governador.

O dois contra um continua

No fim, o segundo debate confirmou uma característica que já havia ficado evidente no primeiro: Lucas Ribeiro ocupa o centro do ringue.

Há uma explicação eleitoral para isso. Como governador, candidato à reeleição e líder nas pesquisas, ele é o adversário que Cícero Lucena e Efraim Filho precisam desgastar. Ao mesmo tempo, os dois oposicionistas travam uma disputa particular para definir quem conseguirá avançar para um eventual segundo turno.

É essa combinação que ajuda a explicar a curiosa camaradagem entre adversários que também disputam votos entre si. Cícero e Efraim sabem que precisam crescer, mas, pelo menos neste momento, parecem considerar que atacar Lucas pode ser eleitoralmente mais rentável do que atacar um ao outro.

Só que, se a estratégia foi parecida com a do primeiro debate, o ambiente mudou completamente. Na quarta-feira, houve ataques e momentos de tensão. Neste domingo, as luvas praticamente saíram.

O segundo debate mostrou que a campanha para o Governo da Paraíba entrou em uma nova fase. E, pelo nível das acusações apresentadas diante das câmeras, os próximos encontros prometem uma disputa cada vez menos cordial.

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