A velha rivalidade nordestina ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira, 17, desta vez no ritmo do São João. Uma provocação da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, reacendeu a disputa simbólica sobre qual estado realiza a maior e melhor festa junina do país — se Caruaru ou Campina Grande.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Raquel sugeriu que o evento pernambucano supera o paraibano, inclusive orientando o público sobre a ordem ideal de visita. “Se você vai para o São João de Campina, para o São João de Caruaru… desculpa, Campina. Campina é o segundo melhor São João do Brasil. Por isso, primeiro vá para o de Campina, depois para o de Caruaru”, afirmou.
A resposta veio em tom bem-humorado, mas com recado claro. O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, não deixou a provocação passar e tratou de defender o protagonismo de Campina Grande. “Governadora Raquel, me desculpe, mas não tem comparação. Deixa Pernambuco com o frevo, porque São João mesmo, forró mesmo, quem faz é a Paraíba, quem faz é Campina Grande”, disparou.
Lucas não esteve sozinho. O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, entrou no coro e reforçou a defesa da festa paraibana, evidenciando um alinhamento político em torno de um tema que, mais do que cultural, também movimenta turismo, economia e identidade regional.
Mas por trás da disputa entre gigantes do São João, um outro debate começa a ganhar força — e talvez seja ainda mais incômodo. Enquanto Paraíba e Pernambuco brigam pelo título de “maior” e “melhor”, cresce a percepção de que a essência da festa tem sido, aos poucos, deixada de lado.
Nos últimos anos, tanto em Campina Grande quanto em Caruaru, o espaço dedicado ao forró tradicional vem sendo reduzido para dar lugar a atrações de sertanejo e outros gêneros musicais que pouco dialogam com a raiz junina. O que antes era sanfona, zabumba e triângulo, hoje divide — ou perde — espaço para grandes shows que pouco têm a ver com o verdadeiro espírito do São João.
A disputa pode até continuar rendendo vídeos, respostas e provocações. Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: quem, de fato, ainda está fazendo o São João como ele nasceu?
