Quando o Tribunal Superior Eleitoral encerra o prazo de prestação de contas dos partidos políticos, a primeira coisa que o eleitor quer saber é para onde está indo a fortuna do Fundo Partidário, abastecido com o dinheiro dos nossos impostos. Logo em seguida, para quem acompanha a política local, vem a inevitável pergunta: será que tem algum paraibano embolsando esses super-salários da cúpula das siglas?
A resposta curta e direta é não. Nenhum dirigente ou político do estado figura no topo do ranking nacional de vencimentos.
O levantamento, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo com base nos dados oficiais de gastos, mostra que o topo dessa pirâmide financeira é dominado de forma absoluta pelo eixo geopolítico do Sudeste, com um protagonismo quase total da cúpula do Partido Liberal, o PL. Para driblar o teto imposto pela CLT na folha de pagamento das legendas, esses repasses mensais costumam ser cadastrados como serviços técnico-profissionais, garantindo contas bancárias recheadas sem o peso dos encargos tradicionais.
No topo do ranking nacional, um grupo seleto aparece empatado com um rendimento médio de 33,7 mil reais por mês. Nesse pelotão da frente estão Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro; José Tadeu Candelária, que comanda o diretório paulista da sigla; e o dirigente Luiz Henrique Sampaio Guimarães.
Logo atrás, com uma média mensal de 32,7 mil reais, aparece o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ocupa a função de presidente de honra do partido. O PL ainda fecha sua lista de elite com o ex-deputado Eduardo Cury, que recebeu 29,3 mil reais por mês.
Toda essa dinastia salarial é sustentada pelo fato de o PL ter elegido a maior bancada de deputados federais na última eleição geral, o que lhe garantiu o direito de receber a maior fatia do Fundo Partidário do país, totalizando 192,1 milhões de reais. O PT, dono da segunda maior bancada, ficou bem atrás, com 140,4 milhões de reais.
Fora do núcleo do PL, os outros poucos felizardos que dividem o topo do ranking de salários pertencem ao PRD, ao PSD e ao Podemos. Ovasco Resende e Marcos Vinícius Neskau, dirigentes do PRD, faturaram 31 mil reais mensais cada. Já João Francisco Aprá recebeu 29,9 mil reais do diretório paulista do PSD, sendo o único da lista bancado por uma estrutura estadual e não pela verba nacional. No Podemos, a deputada Renata Abreu, Thiago Milhim e o Pastor Everaldo fecham a contabilidade recebendo uma média de 26,8 mil reais por mês cada um.
Enquanto os cofres partidários seguem inflados com verbas públicas recordes nas vésperas do próximo ano eleitoral, estados como a Paraíba assistem de longe a essa concentração de super-salários, que fica restrita aos caciques que controlam as chaves das executivas nacionais em Brasília e São Paulo.
