A Zona Azul não é uma novidade, nem uma invenção isolada. Ela é uma resposta prática a um problema típico de cidades que crescem, recebem mais veículos e precisam organizar o uso do espaço público. Antes de ser tratada como vilã, vale entender quem ganha com o estacionamento rotativo funcionando de forma regular.
Para o motorista, o principal benefício é a previsibilidade. Com regras claras, preço fixo e tempo definido, acaba a insegurança. O cidadão sabe quanto vai pagar, por quanto tempo pode ficar e deixa de depender de abordagens informais, muitas vezes constrangedoras, para estacionar o carro.
Para a cidade, a vantagem está na rotatividade. Uma vaga que antes ficava ocupada o dia inteiro por um único veículo passa a atender vários motoristas ao longo do dia. Isso melhora o acesso ao comércio, aos serviços e às áreas turísticas, reduz o tempo gasto procurando estacionamento e ajuda a aliviar o trânsito.
Para o contribuinte, há um ponto central no debate: o dinheiro arrecadado com a Zona Azul não é privado nem aleatório. Ele deve ser reinvestido na própria mobilidade urbana, em sinalização, organização viária, calçadas e melhorias que retornam para quem usa a cidade diariamente.
Há ainda uma questão que costuma ficar fora da discussão, mas que pesa no bolso do cidadão. Onde não existe regulação, a rua deixa de ser pública na prática. Em dias de grande movimento, shows e eventos, o estacionamento acaba sendo controlado informalmente, com cobranças abusivas. Já houve situações, especialmente na orla, em que flanelinhas chegaram a cobrar até 50 reais para permitir que um carro parasse em qualquer ponto do entorno.
Nesse cenário, a escolha real não é entre pagar ou não pagar. É entre uma taxa pública, mais barata, regulada e com retorno social, ou uma cobrança informal, mais cara e sem qualquer controle. A Zona Azul não cria a cobrança; ela substitui um modelo irregular por outro transparente.
É dentro dessa lógica que o sistema passa a operar de forma educativa na orla, após já funcionar no Centro. Nesta fase inicial, não há cobrança nem multa, apenas orientação. Quando entrar em vigor, o modelo seguirá os valores já conhecidos e permitirá um tempo maior de permanência nas vagas da orla.
A resistência existe e faz parte do debate público. Mas ignorar a realidade atual é fechar os olhos para um problema que já penaliza o motorista há anos. A Zona Azul não resolve tudo, mas organiza o uso da rua, reduz abusos e ajuda a preparar a cidade para um crescimento que já está em curso.
Onde e quanto
Os valores seguirão os já praticados no Centro da cidade:
- Carros: R$ 1,50 por 30 minutos, até R$ 6,00 por 120 minutos
- Motos: R$ 0,75 a R$ 3,00
As ruas que terão Zona Azul na orla:
Rua Vereador Antônio Pessoa da Rocha
Avenida João Maurício
Avenida Almirante Tamandaré
Avenida Antônio Lira
Avenida Cabo Branco
Avenida Cairu
Avenida Índio Arabutan
Avenida Izidro Gomes
Avenida Maria Elizabeth
Avenida Monsenhor Odilon Coutinho
Avenida Nego
Avenida Olinda
Avenida Presidente Epitácio Pessoa
Avenida Professora Maria Sales
Avenida Senador Ruy Carneiro
Praça Santo Antônio
Rua Adolfo Loureiro França
Rua Alice Almeida
Rua Aluísio França
Rua Áurea
Rua Buarque
Rua Carlos Alverga
Rua Coração de Jesus
Rua Elizeu Cândido Viana
Rua Florência de Almeida Barros
Rua Geraldo Costa
Rua Gregório Pessoa de Oliveira
Rua Helena Meira Lima
Rua José Augusto Trindade
Rua José Ramalho Brunet
Rua Luciano Ribeiro de Morais
Rua Major José Eugênio Lins
Rua Marcionila da Conceição
Rua Mirtes Bichara Sobreira
Rua Nossa Senhora dos Navegantes
Rua Targino Marques