quarta-feira, 27 de maio de 2026
Saiba o que rolou nos bastidores da visita de Flávio a Donald Trump
27/05/2026 09:24
Redação ON Reprodução

Nos bastidores da visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, o clima esteve longe da tranquilidade exibida depois nas fotos oficiais ao lado de Donald Trump. Até poucas horas antes do encontro, o entorno do senador trabalhava com receio real de que a reunião pudesse simplesmente não acontecer.

Hospedado no tradicional hotel The Willard, a poucos minutos da Casa Branca, Flávio passou praticamente toda a terça-feira recluso ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro, e do influenciador Paulo Figueiredo, um dos principais canais do bolsonarismo junto ao trumpismo nos Estados Unidos. A tensão aumentava porque, até o início da tarde, o nome do senador sequer aparecia na agenda oficial divulgada pela Casa Branca.

Nos bastidores, aliados admitiam preocupação com a possibilidade de um cancelamento de última hora provocado pelas tensões internacionais envolvendo o Irã, tema que naquele momento concentrava parte da atenção do governo americano. A avaliação interna era simples: politicamente, seria um desastre para Flávio atravessar o continente tentando demonstrar força internacional e voltar ao Brasil sem sequer conseguir a foto ao lado de Trump.

A confirmação definitiva só veio após uma nova rodada de contatos envolvendo interlocutores próximos do secretário de Estado, Marco Rubio. A articulação passou justamente pelo núcleo republicano ligado a Rubio e pela rede política construída por Eduardo Bolsonaro nos EUA desde o governo Jair Bolsonaro.

Segundo relatos de bastidores, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo participaram apenas rapidamente da reunião. Entraram na sala, cumprimentaram Trump e saíram logo depois. A estratégia era clara: dar ao encontro uma aparência mais “presidencial”, deixando Flávio sozinho como protagonista político da conversa.

O senador brasileiro levou uma camisa da seleção para presentear Trump, mas o plano teve um contratempo inesperado. O presente acabou retido pela segurança da Casa Branca para inspeção e não pôde ser entregue diretamente ao presidente americano naquele momento. Auxiliares afirmam que a peça será liberada posteriormente.

Logo no início da conversa, porém, o assunto central acabou sendo Jair Bolsonaro. Trump quis saber detalhes da situação do ex-presidente brasileiro, perguntou sobre a prisão domiciliar e demonstrou curiosidade sobre como a família estava enfrentando o momento político. Flávio aproveitou para transmitir um abraço do pai ao presidente americano.

O encontro durou cerca de 1h40. Na saída, Trump entregou a Flávio uma “challenge coin”, moeda simbólica tradicionalmente distribuída por presidentes americanos a aliados e convidados considerados próximos. O senador mostrou o item ainda dentro da Casa Branca e tratou o gesto como um sinal político relevante.

Outro personagem importante apareceu discretamente após a reunião: Jason Miller, um dos principais nomes da comunicação digital ligada a Trump. Miller cumprimentou Flávio rapidamente e reforçou a imagem de aproximação entre o bolsonarismo e o núcleo político trumpista.

Dentro do PL, a leitura é de que a agenda em Washington ajuda Flávio a recuperar protagonismo político após semanas desgastantes marcadas pela crise envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Aliados avaliam que a foto ao lado de Trump serve também para reforçar o vínculo internacional do senador com o trumpismo justamente num momento em que setores da direita passaram a discutir alternativas presidenciais, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Flávio permanece em Washington até esta quarta-feira. O retorno ao Brasil está previsto para quinta-feira, antes de uma agenda política em Curitiba na sexta.

canal whatsapp banner

Compartilhe: