Os palanques de 2026 prometem reunir antigos aliados que hoje mal se cumprimentam — mas que podem acabar dividindo o mesmo espaço em nome de um objetivo comum: conter o avanço da extrema-direita. É esse o tom da fala do ex-governador Ricardo Coutinho (PT), que, sem citar nomes, deixou claro estar disposto a seguir qualquer articulação determinada pelo presidente Lula — inclusive caminhar ao lado de João Azevêdo, atual governador, e seu ex-aliado convertido em adversário político.
“Deputado Federal, eu analisei esse quadro aí, e acho que nós temos duas coisas que são importantes. Primeiro, barrar a vitória da extrema-direita em 2026. […] Para poder dizer ao presidente Lula que eu não seria empecilho para nenhuma articulação que porventura ele queira fazer.”
A frase tem peso simbólico. Afinal, foi Ricardo quem, em 2018, escolheu João como seu sucessor. Mas a relação entre os dois rapidamente se deteriorou após a vitória nas urnas, culminando em rompimento, troca de farpas e embates públicos. Agora, Lula — que tem defendido abertamente a candidatura de João ao Senado — pode ser o elo de uma improvável reaproximação.
O gesto de Ricardo ganha ainda mais relevância diante de um paradoxo político: embora seja, historicamente, o político paraibano mais identificado com Lula — por afinidade ideológica e relação pessoal — Ricardo vem sendo deixado de lado pelo presidente. Lula convidou ex-governadores petistas para cargos estratégicos em seu governo, mas nunca ofereceu espaço a Ricardo. Já esteve diversas vezes na Paraíba e nunca dirigiu sequer uma palavra pública de afeto ou reconhecimento ao ex-governador, de quem sempre foi próximo e, possivelmente, ainda é admirador. O silêncio de Lula tem sido tão eloquente quanto as tentativas de reaproximação de Ricardo.
Adriano Galdino
Mas não é só ele que tenta se alinhar com o projeto nacional. Enquanto Ricardo suaviza o discurso e se posiciona como peça útil a qualquer costura do PT, outro nome começa a ocupar espaço na cena local: o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos). No fim de semana, durante o Arraial do Cariri, em Pocinhos, Galdino puxou um coro popular em apoio a Lula e se apresentou como o nome do presidente na Paraíba. “Adriano governador e Lula presidente”, cravou, sem disfarçar suas pretensões eleitorais.
A movimentação surpreende por vir de um político que nunca teve filiação petista. Seu partido, o Republicanos, abriga inclusive parlamentares alinhados ao bolsonarismo. Ainda assim, Galdino dobrou a aposta. Em outra declaração recente, disse: “De todos os nomes colocados como pré-candidatos a governador, só eu sou petista. Os outros são bolsonaristas declarados ou enrustidos.” A frase, apesar de provocadora, revela uma disputa em curso por quem pode herdar o aval de Lula no palanque de 2026.
O que antes parecia impossível agora ganha contornos de realidade: João, Ricardo e Adriano no mesmo palanque, alinhados com Lula. Em tempos de rearranjo de forças, a eleição de 2026 promete ser marcada menos por ideologia e mais por pragmatismo. E, acima de tudo, por reencontros improváveis.