Ricardo Coutinho diz que vota “em quem Lula mandar”. Mas essa lealdade vai até que página?
07/10/2025 05:07
Redação ON Reprodução

O ex-governador Ricardo Coutinho (PT) foi o entrevistado do programa Frente a Frente, da TV Arapuan, nesta segunda-feira (6). Durante quase uma hora, ele falou abertamente sobre articulações, alianças e planos para o futuro — deixando recados diretos a aliados e adversários. A entrevista completa está disponível no canal da emissora no YouTube.

Ricardo confirmou que conversou recentemente com o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e o aconselhou a deixar o partido caso realmente tenha pretensões de disputar o Governo do Estado com o apoio do PT e do presidente Lula.

“Adriano é um nome importante. Precisa querer ser importante. João (Azevêdo) e Hugo Motta não querem que ele seja candidato. Se quer ser candidato, tem que deixar o partido. Eu disse isso a ele. Se aponta para um canto, tem que ter ação”, afirmou.

O conselho soa como uma advertência: Galdino só será considerado um aliado confiável pelos petistas se romper de fato com o grupo que hoje domina a base governista.

Um olho em Brasília e outro em 2030

Ricardo disse que pretende disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026, mas não fechou completamente a porta para um futuro retorno ao Palácio da Redenção.

“Penso em ser eleito deputado federal e assumir o papel dentro do Congresso que sei que posso assumir. Mas não posso dizer que dessa água não beberei de jeito nenhum”, reconheceu.

A afirmação abre margem para especulações, mas o próprio Ricardo admite que o caminho é longo: primeiro precisa se eleger, depois mostrar serviço — e, claro, resolver pendências judiciais que ainda o perseguem.

A declaração mais surpreendente da entrevista foi a demonstração explícita de lealdade ao presidente Lula. Questionado sobre quem apoiaria para governador nas próximas eleições, Ricardo foi categórico:

“Voto em quem o presidente Lula escolher”, disse, sem hesitar.

Na prática, isso significa que ele pode apoiar tanto o prefeito Cícero Lucena (PP), antigo adversário político, quanto o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), herdeiro político de João Azevêdo.

A fala de Ricardo gerou uma pergunta inevitável, mas que ficou no ar: até onde vai essa fidelidade?

Como se sabe, Lula já declarou apoio a João Azevêdo para o Senado. A questão é saber até que página vai essa lealdade do “Mago”. Afinal, Lula já disse aqui que o objetivo é não deixar a direita fazer maioria no Senado. Nesse caso, Ricardo seguiria a orientação do presidente?

O dilema tem um peso simbólico, porque os dois romperam e nunca mais se reconciliaram.

Papel importante 

A entrevista de Ricardo Coutinho reafirma o seu papel como figura influente dentro do PT e como voz que ainda desperta reações na política paraibana. Mas também revela o tamanho das contradições que o cercam: ele fala em lealdade a Lula, mas carrega histórias de rompimentos marcantes; fala em futuro, mas ainda lida com o passado.

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