sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Revista Veja revela detalhes do assédio sexual envolvendo ministro do STJ
06/02/2026 11:44
Redação ON Reprodução

A revista Veja publicou uma reportagem assinada por Robson Bonin e Daniel Gullino que descreve, em detalhes, uma grave denúncia de assédio sexual atribuída ao ministro do Superior Tribunal de Justiça Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, de 68 anos. O episódio, segundo o relato apresentado à polícia, teria ocorrido no início de janeiro, durante uma viagem da família da jovem a Santa Catarina, a convite do próprio magistrado.

De acordo com a apuração da Veja, a jovem, de 18 anos, relatou que tinha uma relação de confiança antiga com o ministro, a quem via como uma figura próxima da família. Durante a estadia na casa do magistrado, em uma praia catarinense, a situação teria mudado de tom no dia em que os dois foram sozinhos ao mar. No relato formalizado em boletim de ocorrência, a jovem afirma que foi surpreendida por investidas físicas dentro da água, mesmo após tentar se afastar.

A reportagem descreve que, segundo a denunciante, o ministro teria se aproximado de forma inadequada, feito comentários sobre o corpo dela e tocado partes íntimas sem consentimento. A jovem afirma que tentou sair da situação, mas foi novamente puxada, conseguindo se desvencilhar apenas ao deixar a água. Ainda conforme o depoimento, após o episódio ela teria sido advertida de que sua “sinceridade” poderia lhe trazer problemas, o que a deixou ainda mais abalada.

O impacto emocional do ocorrido aparece no relato colhido pela polícia. A jovem contou que passou a ter dificuldades para dormir e episódios recorrentes de angústia e pesadelos após o episódio. Ao retornar para casa, narrou o que aconteceu aos pais, que decidiram deixar imediatamente o local onde estavam hospedados.

A denúncia provocou forte reação dentro do próprio Superior Tribunal de Justiça. Após a revelação da Veja, foi convocada uma sessão extraordinária para tratar do caso. O ministro acusado participou de parte da reunião, aguardou enquanto os colegas tomavam conhecimento do teor do boletim de ocorrência e, em seguida, apresentou sua versão. Ele negou ter praticado assédio e afirmou não compreender o motivo do choro da jovem no momento relatado, sustentando que a praia estaria cheia no dia do episódio.

Mesmo negando a acusação, o magistrado comunicou que se afastaria de suas funções no tribunal, alegando não ter condições psicológicas de enfrentar aquele momento. Paralelamente, o STJ instaurou sindicância para apurar os fatos, com a designação de ministros para conduzir a investigação interna. O caso também passou a ser analisado por outros órgãos de controle do Judiciário.

Em nota, o ministro afirmou ter sido surpreendido pelo teor das acusações e negou ter cometido qualquer ato impróprio. Já a defesa da jovem cobrou rigor na apuração e destacou a gravidade do relato, pedindo que os órgãos competentes atuem com firmeza para esclarecer os fatos e responsabilizar eventuais culpados.

O episódio expõe uma crise sensível no interior do Judiciário brasileiro, ao colocar sob suspeita a conduta de um integrante de uma das mais altas cortes do país. Ao trazer os detalhes do caso, a reportagem da Veja joga luz sobre a importância de investigações rigorosas, transparência institucional e proteção às vítimas em situações que envolvem figuras de grande poder e influência.

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