segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Revista britânica afirma que ataque ao Pix une brasileiros em defesa da soberania
02/08/2026 20:29
Redação ON Reprodução

A ofensiva do governo dos Estados Unidos contra o Pix ganhou um novo capítulo neste fim de semana, mas desta vez com uma reação vinda de uma das publicações mais respeitadas do mundo. Em análise publicada pela revista britânica The Economist, o semanário afirma que as acusações de que o sistema brasileiro de pagamentos prejudica empresas americanas são frágeis e conclui que a pressão de Washington acabou produzindo um efeito contrário: reforçou entre os brasileiros o sentimento de defesa da soberania nacional.

Fundada em 1843, a The Economist é considerada uma das principais referências mundiais em economia, política internacional e relações globais. Ao analisar a disputa em torno do Pix, a revista sustenta que não há discriminação contra empresas estrangeiras no funcionamento do sistema criado pelo Banco Central.

Segundo a publicação, qualquer instituição financeira autorizada a operar no Brasil pode aderir ao Pix nas mesmas condições oferecidas às empresas nacionais. A revista observa ainda que gigantes do setor de pagamentos, como Visa e Mastercard, participam do sistema por decisão própria, sem qualquer impedimento ou tratamento diferenciado.

A análise também rebate o argumento de que o Pix teria sido criado para prejudicar empresas americanas. De acordo com especialistas ouvidos pela revista, o objetivo sempre foi ampliar a inclusão financeira e reduzir o custo das transações eletrônicas para milhões de brasileiros que dependiam de dinheiro em espécie ou pagavam tarifas elevadas para realizar pagamentos digitais.

The Economist destaca que o Pix transformou o mercado de pagamentos ao ampliar o número de usuários do sistema financeiro formal e reduzir drasticamente o uso de dinheiro em espécie e de cheques. Na avaliação da revista, a concorrência provocada pelo novo modelo pressiona todas as empresas do setor a oferecer serviços mais eficientes e com custos menores, sem representar uma barreira à atuação de grupos estrangeiros.

O semanário reconhece que existem discussões legítimas sobre o fato de o Banco Central concentrar a operação e a regulação do sistema, mas ressalta que esse debate diz respeito ao modelo de governança da infraestrutura financeira, e não a qualquer prática de protecionismo contra empresas dos Estados Unidos.

Na parte política, a revista avalia que a campanha do governo Donald Trump contra o Pix acabou fortalecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas da eleição presidencial. Segundo a publicação, em um país profundamente polarizado, o Pix é uma das raras políticas públicas que desfrutam de aprovação praticamente consensual, o que permitiu ao presidente se apresentar como defensor de uma das iniciativas mais bem-sucedidas da administração pública brasileira e da própria soberania nacional.

The Economist afirma ainda que a situação se tornou delicada para o senador Flávio Bolsonaro, em razão da proximidade política de sua família com Donald Trump. A revista lembra que, ao tentar propor uma saída para o impasse, Flávio sugeriu restringir conexões do Pix com sistemas de pagamentos ligados a países como China e Rússia, movimento que abriu espaço para críticas do presidente Lula e intensificou a repercussão nas redes sociais.

Ao concluir a análise, a publicação resume o efeito da ofensiva americana em uma frase que sintetiza sua avaliação: até o momento, a campanha contra o Pix apenas deu aos brasileiros mais um motivo para valorizar o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

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