O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reúne nesta terça-feira (14), em Brasília, representantes de institutos de pesquisa de todo o país para discutir critérios de metodologia, transparência e divulgação dos levantamentos eleitorais. O encontro, convocado pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, ocorre em meio ao debate provocado pela suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel e conta com o apoio de especialistas do setor, entre eles o diretor do Instituto Data Trends, Edmar Lyra.
Convidado para participar da reunião, Edmar Lyra não conseguiu viajar a Brasília, mas afirmou que acompanha a iniciativa com grande expectativa. Para ele, o objetivo do TSE é aperfeiçoar as regras sem comprometer a autonomia técnica dos institutos que trabalham com rigor metodológico.
Na avaliação do diretor do Data Trends, o encontro representa uma oportunidade para diferenciar os institutos que seguem padrões científicos daqueles que, segundo ele, atuam com interesses meramente comerciais.
“Vejo essa iniciativa como fundamental. O TSE demonstra que pretende separar o joio do trigo. Existe uma grande maioria de institutos sérios, comprometidos com a metodologia e com a qualidade das pesquisas, mas também há empresas que transformaram esse mercado em um negócio, sem o mesmo compromisso técnico. Isso acaba prejudicando todo o segmento”, afirmou.
Edmar acredita que o debate trará benefícios não apenas aos institutos, mas principalmente à sociedade.
“Quem trabalha corretamente só tem a ganhar com critérios mais claros e mais transparência. A população poderá identificar com mais segurança quais pesquisas seguem padrões técnicos e quais não oferecem a mesma confiabilidade”, acrescentou.
Também convidado para o encontro, o diretor do Instituto ANOVA, Bruno Agra, não participou por questões de saúde, mas classificou a iniciativa como “louvável e importante para a disputa eleitoral”, destacando que “muitas empresas não levam a sério o real sentido da pesquisa eleitoral”.
A reunião foi convocada após o TSE suspender a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel que passou a ser questionada por apresentar aos entrevistados um contexto político antes da pergunta sobre intenção de voto. O caso abriu na Corte uma discussão sobre os limites entre contextualização e indução de respostas.
Pela legislação atual, a divulgação de pesquisa fraudulenta é crime e os partidos podem contestar os levantamentos apresentados à Justiça Eleitoral. No entanto, ainda não há parâmetros objetivos sobre o conteúdo das perguntas feitas aos eleitores. A expectativa é que o encontro desta terça-feira contribua para aperfeiçoar esses critérios e ampliar a transparência das pesquisas eleitorais, preservando a credibilidade de um dos principais instrumentos de aferição da opinião pública durante as campanhas.