Um novo capítulo da pré-campanha de 2026 expôs um ruído interno no Partido dos Trabalhadores na Paraíba. Duas semanas depois de afirmar, após viagem a Brasília, que o diretório estadual teria autonomia para decidir em qual palanque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiria no estado, a presidente do PT paraibano, Cida Ramos, viu surgir uma resolução do Diretório Nacional que centraliza as decisões eleitorais em todo o país.
O movimento foi suficiente para provocar uma enxurrada de interpretações na mídia política local, apontando que Cida teria sido desautorizada. O pano de fundo da disputa é conhecido: de um lado, o grupo do governador João Azevêdo, que trabalha com a pré-candidatura de Lucas Ribeiro; do outro, o campo liderado pelo prefeito Cícero Lucena, que também busca garantir a presença de Lula em seu palanque.
Diante da repercussão, Cida Ramos tratou de reagir. Em entrevista concedida nesta quinta-feira, a dirigente negou qualquer conflito entre as instâncias estadual e nacional do partido e afirmou que a resolução segue um padrão histórico da legenda. Segundo ela, decisões estratégicas, especialmente em eleições presidenciais, sempre passam pelo crivo da direção nacional.
A presidente do PT na Paraíba também reforçou que há alinhamento com Brasília e que todas as posições são construídas de forma dialogada. Na prática, a fala tenta conter o desgaste político provocado pela mudança de interpretação e afastar a ideia de enfraquecimento da direção estadual.
Apesar do esforço de pacificação, o episódio revela que a disputa pelo palanque de Lula na Paraíba continua aberta e sensível — e que qualquer sinal vindo de Brasília tem potencial imediato de repercutir no tabuleiro local.