Renúncia e eleição: a tradição que move governadores na Paraíba há 40 anos
04/04/2026 10:04
Redação ON Secom

Em pleno ambiente de pré-campanha eleitoral, a Paraíba volta a viver um movimento que se repete ao longo das décadas: a renúncia de governadores para disputar uma vaga no Senado. A saída recente de João Azevêdo do cargo, oficializada no dia 2 de abril de 2026, insere o estado mais uma vez nesse roteiro político, que combina estratégia eleitoral e reorganização do poder. 

Nos últimos 40 anos, entre 1986 e 2026 – segundo levantamento do jornalista Josélio Carneiro – quatro governadores paraibanos deixaram o comando do Executivo estadual com o mesmo objetivo: chegar à Câmara Alta do Congresso Nacional. O primeiro caso foi em 1986, quando Wilson Braga renunciou ao cargo. Na mesma ocasião, o vice-governador José Carlos da Silva Júnior também deixou a função. Ambos disputaram o Senado, mas não conseguiram se eleger.

O cenário mudou em 1994, quando Ronaldo Cunha Lima seguiu o mesmo caminho, deixando o governo para concorrer ao Senado. Diferentemente de Braga, ele obteve êxito nas urnas e foi eleito, abrindo espaço para que o vice, Cícero Lucena, assumisse o comando do estado.

Em 2002, foi a vez de José Maranhão renunciar ao cargo de governador para disputar o Senado. Repetindo o desfecho de Ronaldo, Maranhão também saiu vitorioso nas eleições. Com sua saída, o vice Roberto Paulino assumiu o governo estadual.

Agora, em 2026, João Azevêdo repete o movimento ao deixar o cargo e transmitir o governo ao vice Lucas Ribeiro. A decisão reforça uma tradição política local em que o governo estadual se torna etapa de um projeto maior, mirando o Senado como próximo destino.

Lucas, mais um de Campina

Nos 137 anos de República, (proclamada em 15 de novembro de 1889), Lucas Ribeiro Novais de Araújo, 36 anos, é o governador da Paraíba mais jovem da história do estado e o terceiro governador nascido em Campina Grande.  

A cidade soma agora em sua história cinco governadores representantes da Rainha da Borborema: Argemiro Figueiredo (interventor – 1935 a 1940); Ronaldo Cunha Lima (eleito – 1991 – 1994); Milton Cabral (eleito pela Assembleia Legislativa – junho de 1986 a março de 1987); Cássio Cunha Lima (eleito em 2002 e em 2006) e agora Lucas Ribeiro, que era o vice-governador de João Azevêdo e já foi vereador e vice-prefeito de Bruno  Cunha Lima, em Campina Grande.

Argemiro, Cássio e Lucas, filhos da terra. Ronaldo nasceu em Guarabira e Milton em Umbuzeiro, porém, os dois atuaram politicamente na cidade mais importante do interior nordestino. Adotaram Campina. 

A cidade teve ainda a campinense Lígia Feliciano que foi vice de Ricardo no segundo mandato e de João Azevêdo, na primeira administração do pessoense do bairro de Cruz das Armas. Lígia assumiu o cargo de governadora em algumas ocasiões.

Depois da Paraíba ter sido governada nos últimos 15 anos por dois pessoenses – Ricardo Coutinho e João Azevêdo, a cidade de Campina Grande conquista novamente a cadeira de governador, com Lucas Ribeiro, após a segunda eleição de Cássio Cunha Lima em 2006, portanto, há 20 anos.

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