A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) comunicou neste domingo, 14, a renúncia ao mandato à Mesa da Câmara dos Deputados. Presa na Itália, a parlamentar deixa a vaga que será ocupada pelo suplente Adilson Barroso, também do PL de São Paulo.
A renúncia ocorre depois de uma tentativa da oposição de manter Zambelli no cargo por meio de votação em plenário. Na madrugada do dia 11, a Câmara registrou 227 votos favoráveis à perda do mandato e 170 contrários, número insuficiente para alcançar os 257 votos necessários para a cassação.
No dia seguinte, porém, o Supremo Tribunal Federal anulou a decisão da Câmara e determinou a perda imediata do mandato. Para a Corte, a votação violou a Constituição, que prevê a cassação automática em casos de condenação criminal com trânsito em julgado.
Zambelli foi condenada em maio a dez anos de prisão e à perda do mandato por envolvimento na invasão cibernética aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizada pelo hacker Walter Delgatti Neto. O processo transitou em julgado em junho, encerrando todas as possibilidades de recurso. Desde julho, a deputada está na Itália, para onde fugiu após os reveses judiciais.
A renúncia foi anunciada antes de a Câmara cumprir formalmente a determinação do STF. Aliados afirmam que a estratégia busca preservar direitos políticos. Segundo o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), a saída antecipada evita os efeitos mais severos de um julgamento que ele classifica como politizado e amplia as possibilidades de defesa.
Além dessa condenação, Zambelli também foi sentenciada pelo STF, em agosto, a cinco anos e três meses de prisão e à perda do mandato por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. A decisão se refere ao episódio em que ela perseguiu um homem armada, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

