A renúncia do governador Cláudio Castro, anunciada para evitar um julgamento que poderia torná-lo inelegível, recoloca o Rio de Janeiro no centro de um roteiro político que se repete há anos. Não se trata de um episódio isolado, mas de mais um capítulo de uma sequência marcada por interrupções de mandato, crises institucionais e desdobramentos judiciais.
O histórico recente do estado ajuda a dimensionar o problema. Antes de Castro, Wilson Witzel sofreu impeachment ainda no exercício do cargo. Luiz Fernando Pezão chegou a ser preso quando governava. Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Moreira Franco também tiveram suas trajetórias atravessadas por investigações, condenações ou controvérsias. Ao longo do tempo, o que se consolidou foi um padrão de instabilidade que compromete a continuidade administrativa e a confiança da população.
Esse cenário cria uma espécie de ciclo vicioso. Governos que não chegam ao fim, decisões políticas que acabam transferidas para tribunais e uma população que assiste, muitas vezes impotente, à sucessão de crises. O resultado é um estado que vive sob permanente sensação de provisoriedade, onde o planejamento de longo prazo se torna cada vez mais difícil.
Mais do que apontar responsabilidades individuais, o caso do Rio de Janeiro oferece uma reflexão que vai além de suas fronteiras. A escolha dos representantes nas urnas não é um ato trivial nem pode ser guiada apenas por discursos, carisma ou circunstâncias momentâneas. Ela exige atenção ao histórico, à consistência e à capacidade real de governar.
O que se vê no Rio é um alerta claro: quando a escolha falha, o preço não demora a aparecer — e quem paga essa conta, no fim das contas, é sempre a população.