sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Relatório da PF expõe bastidores de poder no caso Banco Master e reforça aposta na impunidade por erros processuais
13/02/2026 21:10
Redação ON Reprodução

Uma reportagem do canal de jornalismo independente MyNews, criado pela jornalista Mara Luquet e pelo roteirista e humorista Antônio Tabet, revelou detalhes perturbadores sobre os bastidores do escândalo que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube, o MyNews publicou uma análise baseada em trechos do relatório entregue pela Polícia Federal ao ministro Edson Fachin, na qual os encontros regados a festas, mulheres e ostentação aparecem não como simples episódios de libertinagem, mas como parte de uma engrenagem organizada de aproximação e influência junto a políticos do Centrão e figuras estratégicas do poder.

Segundo o material divulgado pelo MyNews, o relatório da PF descreve uma logística sofisticada por trás desses encontros. Não se tratava apenas de excessos privados, mas de ambientes cuidadosamente montados para criar vínculos, compromissos implícitos e zonas cinzentas entre interesses privados e decisões públicas. A presença de mulheres estrangeiras, que não falavam português e não tinham qualquer referência sobre quem eram os convidados, aparece no relatório como um mecanismo funcional de isolamento, redução de riscos e blindagem informal dos envolvidos. Ostentação, luxo e anonimato operavam como peças de uma mesma engrenagem.

Mas o ponto mais grave do caso não está nos episódios de decadência moral descritos nos autos, e sim no potencial de dano institucional que o escândalo carrega. O que se desenha nos bastidores, conforme a leitura política do MyNews, é uma movimentação para esvaziar o caso por dentro. Ministros do Supremo Tribunal Federal já teriam sinalizado preocupação com possíveis falhas formais na condução da investigação pela Polícia Federal, o que abriria espaço para questionamentos processuais capazes de comprometer toda a operação. O discurso de “rito atropelado” surge como a brecha jurídica que pode ser usada para implodir o caso, independentemente do conteúdo explosivo das provas reunidas.

Esse roteiro não é novo. O sistema costuma jogar com o tempo. O precedente da Lava Jato é frequentemente lembrado como exemplo de como investigações robustas podem ser anuladas por vícios formais, depois de anos de desgaste político, midiático e institucional. No caso do Banco Master, a aposta parece ser a mesma: prolongar o debate, apostar na fadiga da opinião pública e, no futuro, transformar o escândalo em mais um processo anulado por “inconsistências jurídicas”. O resultado, como já se viu em outros momentos da história recente do país, é a sensação de que o crime compensa quando o erro técnico da acusação se sobrepõe ao mérito dos fatos investigados.

Ao expor esses bastidores, o MyNews não apenas ilumina um caso específico, mas aponta para um problema estrutural do sistema de Justiça brasileiro: grandes escândalos não morrem por falta de provas, mas pela habilidade dos envolvidos em transformar falhas processuais em salvo-conduto. O risco, mais uma vez, é que o caso Banco Master termine varrido para debaixo do tapete, não por ausência de indícios, mas por excesso de confiança na burocracia como instrumento de esquecimento.

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