João Pessoa, terça-feira, 3 de novembro de 2026
Reformar ficou caro? Pintura é alternativa para transformar a casa gastando menos
03/11/2026 09:39
Redação ON Reprodução

Renovar a casa não significa necessariamente trocar pisos, remover revestimentos ou investir em uma reforma completa. Em um cenário de custos elevados na construção civil, a pintura surge como uma alternativa para transformar os ambientes com intervenções mais pontuais, desde que as superfícies estejam em condições adequadas.

Dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o custo nacional da construção acumulou alta de 5,63% em 2025.

Os materiais subiram 4,20%, enquanto a mão de obra registrou aumento de 7,63%. Embora os números não representem exclusivamente os custos de reformas residenciais, ajudam a contextualizar a importância do planejamento na hora de investir no imóvel.

Nesse cenário, a pintura pode ser uma solução para quem deseja atualizar a casa sem substituir tudo o que já existe. Paredes desgastadas, portas antigas e revestimentos cuja estrutura permanece preservada podem ganhar uma nova aparência com produtos específicos para cada superfície.

Para a designer de interiores Sofia Kerr, o primeiro passo antes de qualquer transformação é avaliar as condições do ambiente e compreender como ele é utilizado. A definição das intervenções deve considerar tanto as necessidades funcionais quanto os objetivos estéticos do projeto.

“É fundamental entender duas coisas: a função do ambiente e o que podemos fazer para que ele tenha o melhor desempenho possível. Só depois disso vem a parte estética, que é o que vai dar personalidade à casa ou ao escritório”, explica.

Para Eduardo Bathke, diretor-geral da Tintas Verginia, empresa paranaense do setor, outro ponto importante está na relação entre preço, rendimento e durabilidade. “Nem sempre o produto de menor valor representa a opção mais econômica: a necessidade de várias demãos, a preparação da superfície e a frequência de manutenção também influenciam o custo final”.

A escolha do produto faz diferença no orçamento

Em paredes internas que apresentam boas condições, tintas acrílicas podem atender a diferentes projetos, inclusive aqueles com orçamento mais restrito. A decisão deve considerar as características de cada produto, como cobertura, rendimento e resistência à limpeza.

A preparação da superfície também merece atenção. Produtos específicos para gesso e drywall, por exemplo, podem simplificar algumas etapas da aplicação, conforme as condições da base e as orientações do fabricante. Avaliar essas possibilidades antes de iniciar o trabalho ajuda a dimensionar melhor a quantidade de material e os custos de execução.

Outra alternativa é renovar revestimentos existentes em vez de removê-los. Tintas epóxi à base de água indicadas para azulejos permitem modificar a aparência de cozinhas e banheiros sem necessariamente substituir as peças.

Além do material e da instalação de um novo revestimento, a troca pode envolver demolição, descarte de entulho e outras despesas. A pintura, por sua vez, exige que a superfície esteja adequada para receber o produto e que sejam respeitadas as recomendações de preparação e aplicação.

O acabamento escolhido também interfere no resultado. A tinta fosca pode ajudar a disfarçar pequenas irregularidades visuais, enquanto opções acetinadas ou semibrilhantes podem facilitar a limpeza em áreas sujeitas ao contato frequente, desde que as características do produto sejam compatíveis com o uso previsto.

“Problemas como infiltrações, trincas e descascamentos precisam ser avaliados antes da pintura, pois não são resolvidos apenas com a aplicação de uma nova camada”, alerta Bathke.

Cores mudam a percepção dos ambientes

Além da proteção das superfícies, a pintura permite modificar a percepção visual de um cômodo. A combinação entre cores e iluminação pode influenciar a sensação de amplitude, profundidade e aconchego, criando diferentes efeitos sem alterar fisicamente a estrutura do espaço.

“A cor e a luz são fundamentais e influenciam diretamente a nossa percepção de volume. Em geral, cores mais claras refletem mais luz e podem transmitir a sensação de amplitude, enquanto cores mais escuras podem criar profundidade e aconchego”, explica Sofia Kerr.

A percepção também varia conforme a iluminação natural, a área pintada e a relação entre as tonalidades escolhidas. Uma cor que parece escura em uma pequena amostra, por exemplo, pode apresentar outro efeito quando aplicada em uma parede inteira e observada sob diferentes condições de luz.

Por isso, a escolha não deve considerar apenas a preferência por uma tonalidade isolada, mas também sua relação com os demais elementos do ambiente. O equilíbrio entre cores, contrastes e pontos de destaque ajuda a construir uma composição visual coerente.

Para quem tem receio de experimentar, a designer de interiores defende escolhas que reflitam a identidade dos moradores, sem abrir mão do planejamento. “Precisamos ousar mais e ter menos medo de transformar a nossa casa. É o lugar onde vivemos, onde construímos histórias, e faz sentido que ele tenha a nossa identidade. Com planejamento, é possível criar ambientes cheios de personalidade”, afirma.

Pequenas mudanças, novos ambientes

A renovação não precisa se limitar às paredes. Portas de madeira, portões de metal e outros elementos podem ser atualizados com esmaltes apropriados para cada superfície. Já as massas decorativas com efeito de cimento queimado permitem criar um visual contemporâneo sem instalar um novo revestimento, ampliando as possibilidades de transformação com intervenções localizadas.

Para ambientes com crianças ou animais de estimação, tintas com maior resistência à limpeza também podem ser consideradas. Embora algumas dessas opções tenham custo inicial mais elevado, a facilidade de remover manchas e conservar a pintura pode reduzir a necessidade de manutenção frequente, dependendo das condições de uso.

Outra estratégia é realizar as mudanças por etapas, priorizando os cômodos que mais precisam de manutenção ou nos quais a transformação terá maior impacto visual. Essa organização permite distribuir os gastos ao longo do tempo, sem comprometer o planejamento financeiro com uma intervenção integral.

Segundo Sofia Kerr, a criatividade ganha ainda mais importância quando o orçamento é limitado. Nesses casos, pesquisar referências, compreender as necessidades do espaço e planejar a execução são etapas fundamentais para encontrar soluções viáveis.

“Quando o orçamento é limitado, a criatividade precisa ser ilimitada. Muitas vezes, isso significa colocar a mão na massa, pesquisar, entender a função do espaço e encontrar soluções a partir do que já temos disponível”, afirma a designer de interiores.

Ela ressalta, porém, que criatividade também exige avaliar a viabilidade das ideias. “Precisamos entender o que é realmente possível fazer, quais intervenções terão o maior impacto e o que vale a pena financeiramente. Criatividade não é apenas encontrar uma solução diferente, mas encontrar uma solução inteligente, que funcione para aquele espaço e caiba no orçamento.”

A decisão, portanto, vai além da escolha da cor ou do preço da lata. Para avaliar se a pintura representa uma alternativa mais econômica, é necessário considerar o rendimento do produto, o número de demãos, a preparação da superfície, a mão de obra e a durabilidade esperada.

Quando a estrutura do ambiente está preservada e a necessidade é principalmente estética, a pintura pode oferecer uma maneira de renovar a casa com menos etapas e sem substituir elementos que ainda estão em boas condições.

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