O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), anunciou nesta quarta-feira (14) um reajuste salarial linear de 10% para todo o funcionalismo público municipal. O percentual será incorporado à folha de pagamento de fevereiro e alcança todas as categorias da administração direta e indireta, incluindo setores que haviam recebido correções menores recentemente, como profissionais da educação e a Guarda Municipal, cujos vencimentos serão equiparados ao novo índice.
O anúncio, embora tenha impacto direto e positivo no bolso dos servidores, não acontece isoladamente. No início do mês, o governador João Azevêdo já havia adotado medida semelhante ao confirmar um reajuste linear de 10% para o funcionalismo público estadual, abrangendo servidores ativos, aposentados e pensionistas da administração direta e indireta. A medida foi formalizada por meio de Medida Provisória com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026 e incluiu ainda a garantia de que nenhuma remuneração fique abaixo do salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621.
Valorização do servidor
Do ponto de vista administrativo, tanto o reajuste anunciado pela Prefeitura quanto o concedido pelo Governo são apresentados como medidas de valorização do servidor e recomposição do poder de compra diante da inflação acumulada. Do ponto de vista político, porém, o movimento ganha outro significado. Em ano pré-eleitoral, ações dessa natureza tendem a produzir efeitos que vão além da folha de pagamento e entram no radar das disputas que se desenham para 2026.
Não por acaso, o senador Efraim Filho, pré-candidato ao Governo do Estado pela ala bolsonarista, já ironizou esse tipo de movimento ao dizer que disputará a eleição “contra o pessoal do contracheque”, numa referência direta ao peso eleitoral que governadores e prefeitos podem extrair quando estão com a máquina administrativa e a caneta na mão. A frase, ainda que em tom de provocação, traduz um incômodo recorrente de quem enfrenta grupos que ocupam o poder e têm margem para anunciar reajustes, benefícios e políticas de impacto imediato.
No fim das contas, os aumentos de 10% concedidos pelo Governo do Estado e pela Prefeitura de João Pessoa cumprem uma função objetiva e legítima de recompor salários e valorizar o funcionalismo. Mas, no tabuleiro da política, também se convertem em ativos simbólicos poderosos. Em um cenário de disputa antecipada, cada assinatura no contracheque carrega, além de cifras, um potencial de dividendos eleitorais que nenhum ator político ignora.