A possibilidade de mudanças no secretariado da Prefeitura de João Pessoa dominou o debate político da capital durante a semana. Entre entrevistas, podcasts e conversas de bastidores, circularam listas de possíveis substituições, remanejamentos e acomodações. O tamanho da reforma, porém, continua indefinido. Léo Bezerra anunciou que conversará com os secretários para avaliar alterações na equipe.
Entre as estruturas mencionadas nas informações que circulam estão a Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur), a Secretaria de Infraestrutura e a Secretaria de Comunicação. Na Infraestrutura, aparece a possibilidade de remanejamento de Rubens Falcão para outra função. Na Comunicação, também se fala em rearranjo com aproveitamento de integrantes da equipe. Nenhuma dessas possibilidades deve ser confundida com uma decisão anunciada.
A Saúde aparece em outro calendário: a versão de bastidores é que Luiz Ferreira permaneceria à frente da pasta até o encerramento de 2026, com eventual alteração apenas em janeiro. É uma perspectiva, não uma mudança confirmada. Tampouco há uma relação oficial de substitutos que permita estabelecer quem sai, quem fica e quem chega.
Boato é boato
Nesse ambiente, também surgiram rumores de que Cícero Lucena teria apresentado três pedidos ao sucessor: a recondução da filha Janine à Secretaria-Adjunta de Saúde, uma secretaria para o deputado federal Mersinho Lucena, que não conseguiu a reeleição, e a permanência da cunhada América na Educação. Não há confirmação de que esses pedidos tenham sido feitos. A circulação da versão, entretanto, colocou a presença de familiares do ex-prefeito no centro de um debate politicamente delicado.
O parentesco, isoladamente, não permite avaliar a competência de ninguém. Mas atribuir ao ex-prefeito pedidos dessa natureza, sem confirmação, alimenta a percepção de que a montagem da equipe estaria condicionada a interesses familiares. É justamente por isso que o rumor precisa ser tratado com cuidado: não comprova pressão de Cícero nem compromisso assumido por Léo.
O que existe publicamente é uma reafirmação de lealdade. Na sexta-feira (9), Léo disse considerar Cícero um conselheiro e destacou a disposição de manter a parceria. “Quem não gostaria de ter Cícero como conselheiro?”, afirmou. A declaração valoriza a experiência do antecessor e sinaliza proximidade em meio às especulações sobre a administração.
Politicamente, a fala também pode ser interpretada como uma tentativa de tranquilizar aliados enquanto o prefeito avalia sua equipe. Isso não significa, porém, que tenha sido uma resposta a cobranças de Cícero. Não há elementos para afirmar que o ex-prefeito esteja tentando impedir mudanças ou determinar escolhas do sucessor.
O dono da caneta
Há uma questão de fundo que ultrapassa os nomes cotados. Quando um vice assume definitivamente uma prefeitura, herda compromissos, auxiliares e uma estrutura construída pelo titular anterior. Ao mesmo tempo, passa a responder pelas decisões, pelos serviços e pelos resultados. A continuidade da aliança convive, então, com a necessidade de estabelecer autoridade própria.
Essa passagem pode produzir insatisfações mesmo entre parceiros leais. Uma substituição que o novo prefeito considera necessária pode ser recebida pelo antecessor como perda de espaço. Divergências desse tipo fazem parte da dinâmica política, mas não permitem anunciar um rompimento antes que ele exista.
Léo terá de equilibrar esses interesses ao definir o alcance da reforma. Ouvir Cícero é compatível com exercer o comando da prefeitura. A administração, contudo, precisará refletir as escolhas de quem hoje ocupa a cadeira e responde por seus atos. A lealdade ajuda a preservar a parceria; a responsabilidade de governar exige autonomia.