Quem manda na base? Queda de braço entre Aguinaldo e Cícero expõe fissuras
01/08/2025 15:03
Redação ON Reprodução

O clima político na base do governador João Azevêdo há meses vem dando sinais de instabilidade. Esta semana a crise se acentuou, após o atrito entre o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP). O pano de fundo, claro, é a disputa pela indicação ao Governo do Estado em 2026, e a temperatura subiu após Aguinaldo considerar “incongruente” o esforço extrapartidário de Cícero para viabilizar sua candidatura.

A resposta do prefeito foi serena, mas não menos enfática. Ele classificou como “estranho” o tom adotado por Aguinaldo e reiterou seu compromisso com o projeto coletivo para a Paraíba. A menção à sintonia com o governador João Azevêdo evidencia uma tentativa de se posicionar como o nome mais maduro e agregador da base. “Para mim, a Paraíba está acima de qualquer projeto pessoal”, declarou.

Por trás das declarações, está uma disputa silenciosa, mas cada vez mais evidente, entre dois projetos políticos dentro do mesmo grupo: o de Cícero, que goza de popularidade nas pesquisas, e o de Lucas Ribeiro, vice-governador e nome defendido como “candidato natural” pela família Ribeiro — em especial por sua mãe, a senadora Daniela Ribeiro, e o tio Aguinaldo.

Apesar do desconforto, Cícero tentou minimizar a crise, apelando para a “unidade” e jogando a decisão nas mãos da população: “Isso pode ser uma vontade dele [Lucas], mas a gente tem que saber se é a vontade do povo”.

João, o bombeiro

O governador João Azevêdo, por sua vez, adotou o papel de bombeiro. Em entrevista, reforçou sua crença na coesão do grupo político que comanda e defendeu a construção de um projeto coletivo baseado no diálogo. Sem se comprometer com nenhum dos lados, João deixou claro que quer evitar uma ruptura na base que ajudou a consolidar ao longo de dois mandatos.

Ao dizer que “é natural que tenha divergência política”, o governador sinaliza que o debate está aberto, mas que será necessário maturidade para manter o grupo unido. Ele aposta que o projeto com mais capacidade de agregar será o escolhido.

Enquanto isso, os bastidores fervem. A disputa entre o prefeito e a família Ribeiro parece longe de ser apenas um desentendimento pontual. A declaração de Cícero sobre “tratar detalhes só no show de Roberto Carlos” revela que ele está disposto a evitar o confronto direto por ora, mas não abre mão de seu espaço.

Resta saber até quando o governador João Azevêdo conseguirá sustentar essa corda esticada sem rompê-la. A costura da unidade será o maior teste de sua liderança à frente do grupo político que governa a Paraíba.

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