O cenário eleitoral de 2026 ainda parece distante, mas dentro do PT da Paraíba o futuro já começa a preocupar – e confundir. O partido vive um momento de indefinição, sem saber se seguirá aliado ao governador João Azevêdo (PSB) ou se embarcará no projeto do prefeito Cícero Lucena (sem partido), que hoje flerta com o MDB.
Questionada pelo O Norte Online sobre os rumos do partido, a presidente estadual Cida Ramos preferiu o silêncio — ou melhor, a fé. “Boa noite! Que o Espírito Santo cuide de nossas vidas”, respondeu, desviando do tema que mais inquieta a legenda no momento.
A resposta, espirituosa e inspirada, soou mais como um escudo político do que como uma bênção. O Espírito Santo, pelo visto, foi convocado para resolver o que a direção petista ainda não conseguiu: decidir de que lado vai ficar.
Ricardo Coutinho diverge
Enquanto a direção estadual hesita, o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) tenta traçar um caminho próprio. Em entrevista ao programa Hora H, da TV Manaíra, Ricardo descartou apoiar tanto o prefeito Cícero Lucena quanto o vice-governador Lucas Ribeiro (PP).
“Esse não seria o melhor mundo que vejo para a Paraíba. Acho que as duas candidaturas estão muito abaixo”, afirmou. O petista questionou ainda a falta de alinhamento explícito de ambos com o presidente Lula. “Queria entender por que nenhum dos dois anuncia apoio a Lula. Se fizessem isso, eu aplaudiria, mas nem assim aprovo essas candidaturas.”
Para Ricardo, o PT deveria apostar em uma terceira via – um nome capaz de unir o eleitorado lulista sem se submeter aos arranjos tradicionais da política local. Segundo ele, a Paraíba precisa de um projeto novo, “acima das velhas alianças”.
“Quem manda é Lula”
A frase partiu do deputado Adriano Galdino (Republicanos) e foi suficiente para provocar uma forte reação. “Quem manda é Lula”, disse o presidente da Assembleia Legislativa, no plenário da Casa.
A declaração caiu como uma bomba no ambiente petista. Cida Ramos respondeu de imediato, afirmando que Galdino “não conhece o PT e não tem autoridade para falar pelo partido”. O episódio acentuou a percepção de que há uma crise de comando dentro da legenda.
Ouvida por O Norte Online, uma alta fonte do governo admitiu com cautela que “Adriano, com sua metralhadora giratória, não está de todo errado”. Segundo essa avaliação, a influência direta de Lula sobre o PT da Paraíba é cada vez mais evidente, diante da dificuldade das lideranças locais em arbitrar seus próprios rumos.
Entre orações, silêncios e divergências públicas, o PT da Paraíba mostra que ainda não sabe qual caminho trilhará em 2026. Cida Ramos evita o confronto, Ricardo Coutinho propõe independência e o governo estadual observa à distância.
Enquanto isso, a base petista aguarda um sinal – do Espírito Santo ou de Lula – sobre qual rumo seguir.