Queiroga endossa editoriais e declara guerra ao Judiciário: “Poder sem freios vira tirania”
25/05/2025 13:29
Redação ON Reprodução

O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), pré-candidato ao governo da Paraíba em 2026 com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, publicou neste domingo (25) um vídeo em que ecoa, endossa e radicaliza as críticas feitas pelos principais jornais do país ao Judiciário brasileiro. Queiroga denunciou o que chamou de “simbiose entre privilégio e autoritarismo” e acusou a magistratura de ter se tornado “uma corporação blindada e inimiga da crítica”.

O vídeo, divulgado nas redes sociais de Queiroga, cita trechos dos editoriais publicados neste domingo pela Folha de S.Paulo e pelo Estado de S. Paulo, que criticam decisões judiciais recentes envolvendo censura à imprensa e blindagem de magistrados contra críticas públicas.

Enquanto a Folha chamou atenção para decisões que impedem a divulgação de documentos e cartas de interesse público, o Estadão adotou um tom mais incisivo, classificando o Judiciário como “uma casta acima da lei” e alertando: “Não há imprensa livre onde jornalistas são condenados por dizer a verdade”.

Queiroga incorporou essas críticas e foi além. Em seu vídeo, afirmou que o Judiciário brasileiro “trai seu papel constitucional” e “ameaça a própria República que deveria proteger”. Segundo ele, há uma “corrupção institucional” em curso, caracterizada não pelo dinheiro ilícito, mas pela “desfiguração das funções constitucionais” do Poder Judiciário.

“Um poder sem limites, mesmo vestido da mais fina toga, se torna tirano”, disse o ex-ministro, ecoando literalmente os editoriais.

Além das críticas aos tribunais superiores, Queiroga denunciou o que chamou de censura nas redes sociais: “Brasileiros estão sendo silenciados por criticar ministros, compartilhar reportagens ou comentar decisões. O Judiciário passou a escolher quem pode falar”.

A declaração marca o posicionamento mais explícito de Queiroga contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), numa tentativa de consolidar seu espaço entre o eleitorado bolsonarista da Paraíba, onde será adversário do grupo liderado pelo governador João Azevêdo, aliado do presidente Lula.

Com o vídeo, Marcelo Queiroga se apresenta como voz da oposição ao que classifica como “autoritarismo judicial”, antecipando o tom da disputa eleitoral de 2026 — em que a liberdade de expressão e os limites do Judiciário devem ser temas centrais no campo bolsonarista.

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