Queiroga compara Michelle a Margaret Thatcher e a apresenta como alternativa para enfrentar Lula
16/11/2025 05:23
Redação ON Reprodução

O presidente estadual do PL na Paraíba, Marcelo Queiroga, decidiu elevar o tom no debate interno do bolsonarismo e lançou, neste sábado (15), a ideia de uma candidatura presidencial de Michelle Bolsonaro. Em um vídeo no TikTok, cuidadosamente roteirizado e lido em teleprompter, ele comparou a ex-primeira-dama a Margaret Thatcher e afirmou que Michelle seria “uma mulher do lar que virou estadista”, numa tentativa de apresentá-la como nome competitivo para disputar a Presidência contra Lula.

O gesto ocorre em meio a uma semana de forte desgaste interno no PL paraibano. Políticos locais criticaram publicamente Queiroga, acusando-o de usar o partido para um projeto pessoal que inclui sua tentativa de chegar ao Senado e a eleição do filho, Queiroguinha, para a Câmara Federal. Cercado por cobranças, ele saiu em busca de um gesto de força – e encontrou em Michelle o único apoio disponível no momento.

Dias antes da gravação do vídeo, Queiroga havia solicitado à ex-primeira-dama uma manifestação pública de apoio, numa clara tentativa de mostrar prestígio dentro da família Bolsonaro. Não há qualquer sinal de que ele tenha conversado com Jair Bolsonaro sobre essa movimentação, tampouco com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.

A dúvida que paira é simples: Michelle autorizou esse lançamento? Bolsonaro está ciente? Ou Queiroga está agindo por conta própria para se proteger da crise que enfrenta no diretório estadual?

Clique aqui e veja o vídeo de Queiroga no TukTok.

No vídeo, ele responde a uma coluna do Estadão que comparava Michelle a figuras argentinas como Evita Perón e Cristina Kirchner. Queiroga rejeita essa associação e afirma que a ex-primeira-dama se alinha, na verdade, a líderes conservadoras de projeção mundial. “Assim como Margaret Thatcher, Michelle é uma mulher do lar que virou estadista”, declarou. Em outro momento, ele recorda o discurso em Libras feito por Michelle na posse de 2019 e afirma que “ela emocionou o Brasil”, descrevendo o episódio como “amor à primeira vista”.

A partir daí, Queiroga passa a construir uma narrativa de enaltecimento. Ele diz que Michelle foi “mulher firme, amorosa com as famílias e profundamente humana” ao lado de Bolsonaro, que atuou com responsabilidade em pautas sensíveis como doenças raras e que “olha vidas antes de olhar planilhas”. Em tom de defesa pessoal, acrescenta que ela “sempre usou os voos da FAB com moderação”, “nunca gastou com móveis luxuosos” e que teria inclusive recolhido moedas do espelho d’água do Alvorada para doar a instituições. Sobre a pandemia, afirma que Michelle foi “voz ponderada, equilibrada” e que pediu para “cuidar das mães e das crianças”.

Ao rebater as comparações negativas feitas na imprensa, Queiroga dispara contra o PT. Segundo ele, qualquer paralelismo verdadeiro está “no aparelhamento, no populismo e na irresponsabilidade fiscal”, características que definiu como “o retrato de Dilma Rousseff, mãe do PAC, madrasta do Brasil”. Também rechaçou a associação entre Michelle e Isabelita Perón ou Cristina Kirchner, chamando a comparação de “sem nexo, sem paralelismo histórico e sem honestidade intelectual”.

O ex-ministro chegou ainda a buscar referências históricas improváveis. Em resposta à frase de que “a presidência não se entrega aos céus”, citou a Rainha Isabel de Castela – uma das figuras mais poderosas da história da Espanha – afirmando que decisões inspiradas por fé podem mudar o curso da história. “Às vezes, ouvir os céus é justamente o que transforma a história”, disse.

A fala termina funcionando como uma espécie de proclamação informal: se depender de Queiroga, Michelle é o nome do bolsonarismo para enfrentar Lula em 2026. Mas o gesto abre novas perguntas. Bolsonaro sabia? Ele deseja lançar Michelle? Ou prefere apostar no filho, Flávio? Quem realmente deu aval a Queiroga para anunciar esse movimento?

As respostas ainda não são claras. O único contato confirmado até aqui é com a própria Michelle. E, nesse quadro de incertezas e crise interna no PL paraibano, a iniciativa de Queiroga soa menos como estratégia nacional e mais como um grito de sobrevivência política.

canal whatsapp banner

Compartilhe: