Queda de braço entre PT e PSB de João Campos expõe tensão nacional. Isso pode respingar na Paraiba?
27/02/2026 06:23
Redação ON Reprodução

A relação entre o PT de Lula e o PSB nacional, comandado por João Campos, entrou em rota de tensão às vésperas da definição dos palanques estaduais para 2026. O estopim é Pernambuco, onde o PSB cobra do PT apoio à candidatura de João Campos ao governo do Estado contra Raquel Lyra (PSD). Petistas, porém, defendem neutralidade no estado, o que gerou irritação no comando socialista.

Na Paraíba, o assunto ainda não se converteu em conflito aberto, mas já circula como sinal de alerta entre dirigentes partidários. A avaliação é de que a disputa nacional entre PT e PSB, se ganhar corpo, tende a pressionar os arranjos locais e contaminar negociações futuras, especialmente na montagem das chapas majoritárias e dos palanques de 2026.

O problema não se restringe a Pernambuco. O PSB reivindica apoio do PT em pelo menos dois outros pontos considerados estratégicos: a candidatura de Ricardo Cappelli ao governo do Distrito Federal e a definição do palanque em São Paulo. No DF, a direção do PSB se diz surpreendida com a filiação de Leandro Grass ao PT, que passou a ser tratado como pré-candidato ao governo, esvaziando o espaço de Cappelli e deixando os socialistas fora da chapa majoritária local.

Em São Paulo, o PSB chegou a colocar o nome do ministro Márcio França no jogo, mas avalia que a disputa contra o governador Tarcísio de Freitas exige um nome de consenso no campo governista. Para complicar a situação de SP, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou a aliados que poderá disputar o governo de São Paulo. Ele terá um jantar com o presidente Lula (PT) nesta quinta-feira (26).

Nos bastidores, dirigentes do PSB criticam o que chamam de uso seletivo das alianças pelo PT. A leitura interna é de que o partido de Lula estaria disposto a abrir mão de uma frente consolidada de esquerda nos estados para maximizar o palanque presidencial, mesmo que isso implique sacrificar projetos regionais do PSB.

Oficialmente, os dois partidos seguem falando em aliança majoritária nos estados. Na prática, porém, o acúmulo de ruídos em Pernambuco, no Distrito Federal e em São Paulo indica que a disputa por protagonismo dentro da base governista está longe de ser pontual.

Na Paraíba, onde PSB e PT hoje caminham no mesmo campo político, lideranças reconhecem, em caráter reservado, que crises entre cúpulas nacionais raramente ficam restritas a Brasília. Se o embate entre Lula e o PSB de João Campos escalar, o impacto tende a aparecer nas conversas sobre composição de chapa, distribuição de espaços e definição de palanques no estado.

canal whatsapp banner

Compartilhe: