Karl Marx escreveu, no famoso 18 Brumário de Luís Bonaparte, que a história se repete: primeiro como tragédia, depois como farsa. Ele se referia ao golpe de 1851 na França, quando o sobrinho de Napoleão usou o prestígio do tio para se proclamar imperador. Era uma cópia, sem brilho, de um acontecimento que tinha mudado a história anos antes.
No Brasil, também tivemos o nosso “18 Brumário”. Foi em 1937, quando surgiu o chamado Plano Cohen. O documento, apresentado como prova de uma conspiração comunista, falava em sequestros, mortes e revolta armada. A denúncia foi lida no rádio em tom dramático, e logo em seguida Getúlio Vargas decretou estado de guerra e implantou a ditadura do Estado Novo. Meses depois, descobriu-se que tudo não passava de um texto inventado dentro do próprio Exército.
A lição que fica é clara: ao longo da história, governantes usaram o medo e a manipulação de informações para justificar medidas autoritárias. Isso aconteceu na França do século 19, no Brasil dos anos 1930 e, de formas diferentes, continua acontecendo em vários lugares do mundo.
Não se trata de comparar diretamente épocas tão distintas. Mas serve de alerta: sempre que um governante aparece com “documentos secretos”, “ameaças graves” ou “inimigos invisíveis”, é bom desconfiar. A história mostra que, muitas vezes, o que parece realidade pode ser apenas uma farsa com efeitos muito reais.