sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Próximos passos do caso Banco Master podem respingar em Alexandre de Moraes
13/02/2026 12:56
Redação ON Reprodução

A troca de relatoria no Supremo Tribunal Federal no rumoroso caso do Banco Master não encerrou a crise institucional aberta com a saída de Dias Toffoli. Ao contrário: inaugurou uma nova etapa, ainda mais sensível, que pode ampliar o desgaste da Corte e atingir diretamente o ministro Alexandre de Moraes.

O novo relator, André Mendonça, inicia sua atuação com uma reunião estratégica com a Polícia Federal para se inteirar do material já produzido na investigação. O encontro, que em tese seria apenas técnico, ocorre sob a expectativa de que novos relatórios tragam à tona menções a outros integrantes do STF nas conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Foi exatamente esse tipo de citação que precipitou a retirada de Toffoli do caso.

O precedente criado com Toffoli mudou o peso político dessas menções. Até então, referências indiretas em investigações eram tratadas como ruído de bastidor. Agora, passaram a ser vistas como fator de risco institucional. Nesse novo ambiente, o simples aparecimento do nome de um ministro em diálogos de um empresário investigado já é suficiente para produzir constrangimentos públicos e pressões internas por afastamento ou, no mínimo, por explicações.

É nesse contexto que cresce a atenção em torno de Alexandre de Moraes. A Polícia Federal prepara um relatório específico sobre menções ao ministro em mensagens atribuídas a Vorcaro. Ainda que o documento não traga, formalmente, pedido de suspeição ou impedimento, o impacto político de seu conteúdo pode ser relevante, sobretudo em um momento de alta tensão entre o STF e parcelas expressivas da opinião pública.

O risco para Moraes não está, necessariamente, em uma consequência jurídica imediata, mas no desgaste simbólico e político que pode advir do avanço do caso. O episódio soma-se a outros fatores que já colocam o ministro no centro de controvérsias nacionais e internacionais, transformando qualquer nova exposição em combustível para narrativas de questionamento da atuação do Supremo.

Há também um efeito colateral mais amplo: a percepção de que o STF passou a operar em regime de contenção de danos. O acordo interno que levou Toffoli a abrir mão da relatoria, preservando a validade de seus atos no processo, foi visto como uma solução pragmática para evitar o colapso do caso. Ao mesmo tempo, reforçou a impressão de que o tribunal se move para proteger a própria instituição do desgaste, ainda que isso não elimine a sensação de promiscuidade entre poder econômico e círculos de influência em Brasília.

Com André Mendonça à frente do processo, o caso Banco Master ganha um novo capítulo, que pode redefinir o alcance da crise. Se novos nomes vierem à tona, o Supremo será novamente forçado a escolher entre tratar o problema como um ruído controlável ou assumir o ônus de enfrentar publicamente os seus próprios constrangimentos internos.

O desdobramento da investigação, portanto, deixa de ser apenas uma questão sobre fraudes bancárias e passa a ser um teste político para o STF. Para Alexandre de Moraes, em especial, os próximos passos do caso representam um risco concreto de ampliação do desgaste que já o acompanha. Em um ambiente de polarização extrema, qualquer nova sombra lançada sobre a Corte tende a ganhar proporções muito maiores do que o fato em si.

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