Quando disse que esse jogo poderia ir para a prorrogação, Veneziano Vital do Rêgo não estava apenas recorrendo a uma metáfora. Aos poucos, o senador começa a mostrar, na prática, o que entende por esse “tempo extra” na relação com o PT – e como pretende utilizá-lo.
A prorrogação, nesse caso, não significa espera. Significa movimento. Significa ganhar tempo enquanto o cenário ainda não está consolidado e, sobretudo, trabalhar para impedir que o PT feche de vez uma aliança com o grupo do governador Lucas Ribeiro na Paraíba.
É nesse contexto que se encaixa a aproximação cada vez mais visível com o Planalto. A visita esta semana ao novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, vai além de um gesto protocolar. Ao tornar público o encontro e destacar a afinidade pessoal e política, Veneziano constrói uma imagem de proximidade com o núcleo de articulação do governo Lula. O recado é claro: ele também tem acesso, trânsito e capacidade de diálogo no centro das decisões.
Esse movimento ganha ainda mais sentido quando colocado ao lado de outro episódio de hoje, protagonizado por Cícero Lucena. Ao questionar publicamente a narrativa de que o PT já teria definido apoio ao grupo governista, o ex-prefeito atua como uma espécie de extensão dessa estratégia. Não se trata de coincidência, mas de uma ação que ajuda a manter o jogo aberto, criando dúvida onde alguns tentavam vender certeza.
Na prática, Cícero tensiona o ambiente local enquanto Veneziano trabalha o eixo nacional. Um atua no discurso público, o outro reforça a articulação nos bastidores de Brasília. Ambos, porém, com o mesmo objetivo: evitar que o apito final seja dado antes da hora.
A tal prorrogação, portanto, já está em andamento. E, como em qualquer jogo apertado, cada minuto extra passa a ser decisivo para quem ainda acredita que pode virar o resultado.
