Professor da UFCG participa de estudo internacional sobre desmatamento e violência em Terra Indígena na Amazônia
02/08/2026 08:36
Ascom/UFCG Ascom/UFCG

Uma das estratégias mais eficazes para a conservação da floresta amazônica é a proteção das Terras Indígenas. É o que indica uma pesquisa publicada no último dia 28, na revista científica Nature Sustainability, uma das mais prestigiadas do mundo na área de sustentabilidade.

Intitulado Ameaças crescentes nas fronteiras da Amazônia indígena, o estudo reuniu pesquisadores dos EUA, Europa, América Latina e do Brasil, dentre os quais o professor Carlos Santos, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

“Publicar na Nature Sustainability demonstra que a pesquisa desenvolvida na UFCG possui relevância internacional e contribui diretamente para um dos maiores desafios da atualidade: conciliar conservação ambiental, proteção dos povos indígenas e enfrentamento das mudanças climáticas. A participação da universidade em uma colaboração científica dessa magnitude reforça nosso compromisso com a produção de conhecimento de excelência e com a internacionalização da pesquisa”, comentou o pesquisador, que realiza estudos nas áreas de climatologia, mudanças climáticas, sensoriamento remoto, hidrologia e modelagem ambiental.

A pesquisa

O objetivo do estudo foi analisar o avanço das pressões socioambientais sobre as Terras Indígenas da Amazônia, com destaque para o Vale do Javari, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

A partir do exame de séries históricas de dados de sensoriamento remoto do Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes), os pesquisadores verificaram que, enquanto a cobertura florestal permanece amplamente preservada dentro da Terra Indígena Vale do Javari, o desmatamento em seu entorno aumentou significativamente nos últimos anos.

Em 2022, a área situada em um raio de até 200 quilômetros ao redor do território apresentou aproximadamente 187 vezes mais desmatamento do que o registrado no interior da Terra Indígena.

Os resultados evidenciam que a pressão exercida por atividades ilegais, como garimpo, extração madeireira, pesca predatória, tráfico de animais silvestres e narcotráfico, ameaça não apenas a integridade ambiental da Amazônia, mas também a segurança e a sobrevivência dos povos indígenas, especialmente daqueles que vivem em isolamento voluntário. Segundo os autores, o Vale do Javari abriga a maior concentração conhecida desses povos em todo o mundo, tornando-se uma das regiões mais estratégicas para a conservação da biodiversidade e da diversidade sociocultural do planeta.

Além de apresentar um diagnóstico detalhado da situação, o estudo propõe recomendações para fortalecer a proteção dessas áreas, incluindo a ampliação da fiscalização ambiental, o fortalecimento institucional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o apoio às equipes indígenas de monitoramento territorial, a criação de mecanismos legais de proteção para as áreas de entorno das Terras Indígenas e a implementação de políticas de desenvolvimento sustentável para as comunidades vizinhas.

Os pesquisadores também destacam que o enfrentamento ao desmatamento exige cooperação internacional, considerando que parte significativa das pressões sobre a Amazônia está associada às cadeias globais de produção e comercialização de commodities.

Acesse aqui o artigo.

canal whatsapp banner

Compartilhe: