Processo bilionário contra a Prefeitura reabre debate sobre destino da leoa da Bica
04/12/2025 08:27
Redação ON Reprodução

A ação civil pública movida por uma ONG contra a Prefeitura de João Pessoa, por causa do caso da leoa que matou um jovem no Parque Arruda Câmara, reacendeu uma antiga polêmica: o papel dessas entidades e o risco de que animais sejam retirados do zoológico municipal sob forte pressão emocional e judicial.

O processo tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital, foi ajuizado pelo Instituto Protecionista SOS Animais & Plantas e tem o Município de João Pessoa como réu. No cadastro do PJe, o valor da causa aparece como R$ 1.000.000.000,00.

Entenda o valor de R$ 1 bilhão

É importante esclarecer que esse valor não significa, necessariamente, que a ONG esteja cobrando R$ 1 bilhão da Prefeitura. Em ações desse tipo, a quantia registrada é apenas uma estimativa jurídica para dar dimensão econômica ao processo, servindo como base para cálculos processuais, custas e eventual fixação de indenização futura. O que efetivamente poderá ser discutido ao final do processo ainda depende das decisões judiciais.

Críticas ao movimento de retirada da leoa

A iniciativa judicial é vista por especialistas como parte de um movimento para tirar a leoa da Bica e levá-la para um santuário mantido por entidades privadas. Esse tipo de ação encontra resistência dentro e fora do zoológico.

O biólogo Henrique, que tem grande alcance nas redes sociais, criticou publicamente essa movimentação. Segundo ele, a tragédia ocorreu após um jovem de 19 anos, com histórico de problemas mentais e vida em abrigos, escalar um muro de cerca de seis metros e invadir o recinto do animal. Para Henrique, embora o caso exija debate sobre segurança e políticas públicas, isso não justifica a retirada da leoa do zoológico.

O precedente do elefante

A desconfiança em relação a esse tipo de atuação ganhou força após o caso de um elefante que viveu durante décadas na Bica e foi levado por ONGs para um santuário. Pouco tempo depois da transferência, o animal morreu, em meio a questionamentos sobre as condições em que estava sendo mantido.

Para funcionários do zoológico e técnicos da área ambiental, esse episódio deixou uma ferida aberta e serve de alerta para que decisões envolvendo animais não sejam tomadas sob pressão, sem critérios técnicos rigorosos e fiscalização permanente.

Debate além da comoção

O caso da leoa tem múltiplas camadas. De um lado, há a tragédia humana do jovem que perdeu a vida. De outro, a discussão sobre segurança no parque. E, agora, a judicialização que coloca ONGs no centro do debate.

Mais do que uma disputa entre entidade e Prefeitura, o processo levanta uma questão maior: até que ponto essas ações protegem de fato os animais e até que ponto podem abrir caminho para retiradas apressadas, sem garantias reais de que a situação dos bichos será melhor fora do zoológico público.

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