A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro passou a ser tratada como situação de risco após um movimento do filho, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, que provocou reação imediata e dura do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Moraes deu prazo de 24 horas para que a defesa de Bolsonaro explique um possível descumprimento das medidas impostas ao ex-presidente. A cobrança foi motivada pela divulgação de um vídeo em que Eduardo, durante participação em um evento da extrema-direita americana, afirma que mostraria as imagens ao pai e desafia decisões da Justiça brasileira.
No vídeo, gravado durante a Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), Eduardo Bolsonaro diz que pretende provar que “ninguém pode calar” o movimento político liderado por seu pai, sugerindo que o conteúdo seria encaminhado diretamente ao ex-presidente.
A fala acendeu um alerta no STF. Ao conceder a prisão domiciliar, Moraes estabeleceu regras claras: Bolsonaro está proibido de utilizar celulares, telefones ou qualquer meio de comunicação externa, além de não poder acessar redes sociais.
Para o ministro, a declaração do filho levanta a suspeita de que o ex-presidente possa estar tendo acesso indireto a conteúdos digitais, o que configuraria violação das medidas cautelares.
A reação de Moraes foi interpretada nos bastidores como sinal de irritação com o episódio e de disposição para agir rapidamente caso o descumprimento seja confirmado. Dependendo da resposta da defesa, o caso pode levar à revisão do benefício da prisão domiciliar.
Bolsonaro deixou o Hospital DF Star, em Brasília, na última sexta-feira, após cerca de duas semanas internado com broncopneumonia bacteriana. Por decisão do STF, ele passou a cumprir a pena em casa por um período inicial de 90 dias.
A defesa do ex-presidente foi acionada e deve se manifestar dentro do prazo estabelecido. O episódio, no entanto, já elevou a temperatura do caso e colocou sob pressão a permanência de Bolsonaro fora do regime fechado.
