terça-feira, 21 de abril de 2026
Prisão de paraibanos expõe braço financeiro de esquema bilionário de apostas ilegais
20/04/2026 21:26
Redação ON Reprodução

Dois paraibanos, pai e filho, foram presos em Anápolis, no interior de Goiás, durante uma ofensiva policial de grandes proporções que mira um esquema nacional de jogos de azar e lavagem de dinheiro. Eles são apontados como peças-chave na engrenagem financeira da organização, responsáveis por movimentar grandes quantias e dar aparência legal ao dinheiro obtido com apostas clandestinas.

As investigações indicam que a dupla atuava justamente no setor mais sensível do grupo: o fluxo de recursos. A suspeita é de que utilizavam empresas de fachada e plataformas digitais para ocultar a origem dos valores, dificultando o rastreamento pelas autoridades. A atuação deles, segundo a polícia, era essencial para manter o funcionamento do esquema em diferentes estados.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Big Fish, uma ação coordenada entre o Ministério Público do Paraná e a Polícia Civil, que se espalhou por várias regiões do país. Ao todo, 85 pessoas foram presas, incluindo dois vereadores do interior paranaense, o que acendeu o alerta para possíveis conexões do grupo com agentes públicos.

A operação revelou uma estrutura criminosa altamente organizada, dividida em núcleos com funções específicas. Enquanto uma ala cuidava da criação e manutenção de plataformas de apostas — incluindo versões digitais do jogo do bicho — outra se dedicava à engenharia financeira, utilizando fintechs e mecanismos sofisticados para disfarçar as transações.

Um dos principais instrumentos do esquema era um sistema chamado “Suni”, que centralizava o controle das apostas em tempo real. A ferramenta conectava milhares de pontos de exploração espalhados por pelo menos 14 estados, permitindo o gerenciamento simultâneo de bancas físicas e operações online.

Os números impressionam. De acordo com a Promotoria, o grupo movimentou cerca de 2 bilhões de reais em mais de meio milhão de transações financeiras. Para tentar recuperar parte desse montante, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente 1,5 bilhão de reais em contas bancárias.

Além disso, foram sequestrados bens de alto valor, como mais de 130 veículos, mais de 100 imóveis e centenas de cabeças de gado. Também foram retirados do ar 21 sites de apostas ilegais, considerados peças centrais na expansão do esquema.

A Operação Big Fish se estendeu por dois dias consecutivos, diante da quantidade de mandados judiciais a serem cumpridos. Para os investigadores, o caso evidencia não apenas a dimensão financeira da organização, mas também seu nível de sofisticação e capacidade de infiltração em diferentes setores da sociedade.

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