Primeiro debate ao Governo da Paraíba vira jogo de dois contra um; Lucas é o alvo
07/08/2026 21:41
Redação ON Reprodução

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba em 2026 confirmou, já na largada, uma tendência que deve acompanhar boa parte da campanha: na condição de governador e líder nas pesquisas, Lucas Ribeiro (PP) tornou-se o alvo preferencial dos dois principais adversários, Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL).

Realizado nesta sexta-feira (7), o encontro teve ainda um significado especial para a comunicação paraibana. Pela primeira vez, um debate ao Governo do Estado foi promovido por um pool formado a partir de veículos da mídia digital, numa iniciativa que reuniu a MRTV, Blog do Márcio Rangel, FGTV, Portal Fonte83 e mais de dez emissoras de rádio espalhadas pela Paraíba. A transmissão foi distribuída por TV, rádio, portais e redes sociais, ampliando o alcance do confronto.

Mas foi no campo político que o debate apresentou sua principal marca. Ainda que sem qualquer indicação de estratégia previamente combinada entre as duas campanhas de oposição, Cícero e Efraim acabaram atuando, na prática, sobre o mesmo alvo: a gestão estadual.

A lógica eleitoral ajuda a explicar o movimento. Lucas disputa a reeleição e chega à campanha liderando as pesquisas de intenção de voto, enquanto Cícero ocupa a segunda posição e Efraim aparece em terceiro. Para os dois adversários, portanto, atacar o governo significa simultaneamente tentar desgastar quem está na frente e conquistar espaço na disputa por uma eventual vaga no segundo turno.

Lucas estreia sob pressão

O cenário ganhou importância adicional porque foi a primeira experiência de Lucas Ribeiro em um debate como candidato ao Governo. Vice-governador de João Azevêdo, ele assumiu o comando do Estado em abril e, até agora, não havia enfrentado uma situação eleitoral na qual precisasse responder, em tempo real e diante dos adversários, a questionamentos diretos sobre a administração estadual.

Efraim deixou clara essa estratégia logo no início, ao apresentar números e críticas relacionados à educação. Lucas reagiu contestando os dados e afirmou lamentar que o adversário tivesse chegado ao debate apresentando o que classificou como “inverdades”. A partir daí, o governador procurou responder às críticas recorrendo a indicadores e resultados da gestão iniciada por João Azevêdo, da qual participou como vice-governador.

Lucas demonstrou estar preparado para ocupar uma posição essencialmente defensiva. Em vários momentos, respondeu diretamente às acusações e procurou transformar os questionamentos em oportunidade para apresentar números do governo.

Cícero e Efraim “rolam a bola”

O aspecto mais curioso da noite apareceu justamente nos momentos em que Cícero e Efraim deveriam confrontar um ao outro.

Quando Efraim direcionava perguntas a Cícero, temas como saúde acabavam servindo para que o candidato do MDB criticasse a administração estadual. No caminho inverso, perguntas de Cícero a Efraim, inclusive sobre segurança pública, também terminavam com ataques ao governo.

Assim, mesmo quando Lucas não participava diretamente da pergunta e da resposta, continuava no centro do debate.

Foi uma espécie de jogo de cartas marcadas pela própria circunstância eleitoral — não necessariamente por qualquer combinação entre os adversários. Cícero e Efraim passaram boa parte do encontro “rolando a bola” um para o outro, utilizando inclusive os confrontos entre ambos para direcionar críticas à gestão estadual.

O resultado foi um debate com configuração bastante definida: dois candidatos tentando desgastar o governador e Lucas obrigado a defender não apenas sua candidatura, mas um ciclo administrativo iniciado ainda no governo João Azevêdo.

Para Cícero e Efraim, a necessidade política também é evidente. Ambos precisam reduzir a vantagem de quem lidera e, ao mesmo tempo, disputar entre si quem terá melhores condições de avançar para um eventual segundo turno. Para Lucas, o primeiro debate representou a estreia numa posição que deverá se repetir nos próximos encontros: a de candidato a ser batido.

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