Se alguém ainda tinha dúvidas sobre o tamanho da cara de pau no caso Braiscompany, Antônio Neto Ais acaba de fornecer uma resposta definitiva.
Condenado pela Justiça Federal, apontado como um dos responsáveis por um rombo estimado em cerca de R$ 2 bilhões que atingiu aproximadamente 20 mil investidores, foragido por meses, preso na Argentina e aguardando extradição para o Brasil, o empresário paraibano resolveu voltar às redes sociais para ensinar os outros a ficarem ricos.
Não é piada.
Em publicações feitas no Instagram, Ais respondeu perguntas sobre empreendedorismo, vendas, riqueza, disciplina, coragem e recomeço financeiro. Em seguida, anunciou uma mentoria gratuita para pessoas interessadas em aprender com sua experiência. Primeiro seriam 50 vagas. Depois, diante da suposta “grande procura”, o número foi ampliado para 100 participantes.
A pergunta inevitável é: experiência de quê?
A Braiscompany prometia rendimentos extraordinários por meio de operações com criptomoedas. O esquema desmoronou no fim de 2022, deixou milhares de pessoas sem acesso ao dinheiro investido e acabou enquadrado pela Justiça como uma gigantesca fraude financeira. As condenações do casal Antônio Neto Ais e Fabrícia Farias ultrapassam 150 anos de prisão.
Mesmo assim, o ex-CEO da empresa parece acreditar que ainda possui autoridade para falar sobre sucesso financeiro.
É difícil imaginar situação semelhante. Um homem condenado por participar de um dos maiores escândalos financeiros da história da Paraíba, preso em outro país enquanto o Brasil tenta trazê-lo de volta para cumprir pena, oferecendo conselhos sobre prosperidade e enriquecimento.
Se fosse um roteiro de comédia, provavelmente seria considerado exagerado.
Mas é real.
Para milhares de vítimas que perderam economias de uma vida inteira, a iniciativa soa menos como um curso e mais como uma provocação. Um deboche. Uma demonstração de que, mesmo depois da queda espetacular da Braiscompany, ainda existe quem tente vender a imagem de guru do sucesso.
O problema é que, neste caso, os resultados da mentoria já são conhecidos. E custaram cerca de R$ 2 bilhões.