domingo, 29 de março de 2026
 Presidente nacional do PT se pronuncia sobre proximidade com o MDB de Veneziano
29/03/2026 13:38
Redação ON Reprodução

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, decidiu colocar um freio na expectativa de uma aliança ampla com o MDB e o PSD em nível nacional, mas abriu uma porta que interessa diretamente à Paraíba: a construção de acordos estado por estado. A sinalização, dada neste domingo em meio ao debate nacional, encaixa perfeitamente no movimento que já vinha sendo ensaiado no estado — e expõe, ao mesmo tempo, convergências e ruídos dentro dessa relação.

Na Paraíba, o discurso é de alinhamento. O senador Veneziano Vital do Rêgo tem sido enfático ao afirmar que o apoio do MDB ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é certo, sem margem para dúvidas. Segundo ele, o que está em curso não é uma negociação sobre o palanque nacional, mas sim uma tentativa de construir, no estado, uma composição política que também interesse ao PT.

Veneziano sustenta que o MDB paraibano pode oferecer um palanque confiável para Lula, destacando que outras forças locais caminham em direção oposta, alinhadas a um projeto nacional de oposição. Ao mesmo tempo, faz questão de registrar que, apesar das diferenças, o diálogo permanece aberto — inclusive com reflexos nas articulações nacionais.

É aí que entra o ponto de tensão.

Enquanto o MDB da Paraíba sinaliza proximidade com Lula, o cenário nacional é mais complexo. Edinho Silva reconheceu que dificilmente haverá uma aliança formal com MDB e PSD na eleição presidencial. As divergências internas dessas legendas, com diretórios estaduais defendendo neutralidade ou caminhos próprios, tornaram inviável uma costura unificada.

Na prática, isso significa que a relação entre PT e MDB será fragmentada: pode haver parceria em alguns estados e distanciamento em outros. E é justamente nesse modelo que a Paraíba ganha relevância.

O estado passa a ser um exemplo de onde essa aproximação pode funcionar, mesmo sem um acordo nacional consolidado. Mas também carrega o risco de se tornar um ponto de conflito, caso as estratégias locais entrem em choque com os interesses mais amplos das duas siglas.

Problemas nacionais

Neste sábado 28, outro movimento cristalizou o distanciamento entre a sigla comandada por Baleia Rossi e o PT: a filiação do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, em articulação que contou com as digitais do chefe do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Sem novos aliados ao centro, o presidente do PT se dedica à consolidação de alianças com aliados históricos, como o PDT, embora também esbarre em resistências internas. Um exemplo disso é o Rio Grande do Sul, onde a sigla trabalhista defende Juliana Brizola para concorrer ao governo gaúcho, mas o diretório petista insiste na candidatura própria de Edegar Pretto. Os dois aparecem bem posicionados em pesquisas de intenção de voto, o que tem dificultado um acordo.

A fala de Edinho Silva apenas oficializa o que já vinha sendo desenhado nos bastidores: não haverá uma aliança única, mas sim vários acordos pontuais.

Entre entendimentos locais e desentendimentos nacionais, o estado se transforma em um laboratório político — onde PT e MDB testam até onde é possível caminhar juntos sem que as contradições explodam no caminho.

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